Foram rivais durante cerca de dois anos mas encontram-se na alta roda do futebol europeu há várias temporadas. José Mourinho e Jürgen Klopp, dois dos treinadores mais mediáticos do século XXI, nunca esconderam a admiração que nutrem um pelo outro e eram habituais os elogios mútuos nas conferências de imprensa de antevisão dos jogos que opuseram o Manchester United e o Liverpool desde 2016. Esta terça-feira, dia em que Klopp alcançou uma reviravolta histórica perante o Barcelona e chegou novamente à final da Liga dos Campeões, Mourinho voltou a deixar claro aquilo que acha do colega de profissão.

“Não esperava. Disse que nada era impossível e Anfield é o sítio ideal para o impossível passar a ser possível. Tenho de dizer que, para mim, esta remontada tem um nome: Jürgen Klopp. Isto não foi filosofia nem tática. Foi coração, alma e a fantástica empatia que o Jürgen criou naquele grupo de jogadores”, disse o treinador português no comentário habitual aos jogos da Liga dos Campeões que faz na BeIN Sports.

“Estavam em risco de terminar uma época fantástica sem títulos para celebrar e agora estão a um pequeno passo de serem campeões europeus. O Jürgen merece, o trabalho que está a fazer no Liverpool é fantástico e tudo isto é o reflexo do seu espírito lutador, da sua personalidade, de aqueles jogadores darem tudo por tudo. Se falta um jogador, o Jürgen não chora. Se jogam 50 ou 60 jogos por época também não, ao contrário de outros treinadores que noutras ligas se lamentam de jogar 35 ou 40. Tudo isto teve a ver com a mentalidade do Klopp”, acrescentou Mourinho, que estava quase estupefacto com aquilo que o Liverpool tinha acabado de fazer em Anfield.

O próprio Klopp, que esteve até ao último segundo no relvado ao lado dos jogadores, a cumprimentar um por um e a cantar “You’ll Never Walk Alone” em conjunto com os adeptos, visivelmente emocionado mas sem conseguir esconder o sorriso, não mediu palavras na flash interview logo após o final da partida. Aliás, até disse mais do que aquilo que seria, de certa forma, aconselhável. “Ganhar já era difícil, mas fazê-lo sem sofrer golos…não sei como é que os rapazes conseguiram. A forma como defenderam…já passa das 22h, as crianças já devem estar na cama: estes rapazes são gigantes, f…! É inacreditável. Não sou inglês, não me sei expressar melhor. Não tenho palavras para isto, foi simplesmente incrível”, disse o treinador alemão, que parecia ainda não acreditar no que tinha acabado de acontecer.

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“A exibição e todo o jogo foram extraordinários. Foi esmagador. Já vi muitos jogos na minha vida, mas não me lembro de nenhum como este. Antes do jogo disse aos rapazes que era impossível mas que, como eram eles, poderia acontecer”, disse Jürgen Klopp, que vai disputar no final do mês, em Madrid, a terceira final da Liga dos Campeões da carreira, troféu que ainda não conseguiu conquistar.