Estávamos em 2012, Lucas Moura preparava-se para festejar o 20.º aniversário dois dias depois. O Brasil continuava a lutar pelo sonho que conseguir a primeira medalha de ouro de sempre do futebol masculino nos Jogos Olímpicos e, mesmo tapado entre as opções iniciais por nomes como Neymar, Ganso, Leandro Damião, Pato, Hulk ou Óscar, o avançado vivia todos os momentos como se fossem a coisa mais importante. Na final, o México foi melhor e ganhou. O avançado não conteve as lágrimas e acabou por tornar-se na imagem mais marcante da desilusão da equipa. Esta noite, o número 7 teve o seu momento de glória.

Formado entre o Corinthians e o São Paulo depois de ter começado em escolas de futebol da cidade onde ganhou a alcunha de Marcelinho, pelas parecenças físicas com o antigo internacional carioca que passou por quase todos os grandes brasileiros entre fugazes aparições na Europa (Valencia e Ajaccio), Japão (Gamba Osaka) e Arábia Saudita (Al Nassr), Lucas Moura chegou muito cedo aos seniores dos tricolores, teve um papel determinante na conquista do Campeonato Sul-Americano Sub-20 e não demorou a ser apelidado de próximo wonder boy do clube depois do sucesso de Kaká – apesar de ter como grande referência Zinedine Zidane. Em janeiro de 2013, quando já era conhecido pelo nome e não pela alcunha que recebera quando era mais novo, assinou pelo PSG depois de ter visto propostas de Manchester United, Inter e Liverpool rejeitadas.

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Em França, continuou a ir em determinados momentos à seleção, além de somar títulos atrás de títulos: quatro Ligas, três Taças de França, quatro Taças da Liga, cinco Supertaças. Tudo menos a Liga dos Campeões, a grande aposta do clube francês que levou para Paris outros avançados como Cavani, Di María, Mbappé ou o amigo Neymar. E como já não cabiam mais estrelas no plantel, acabou por transformar-se num elo mais fraco “dispensável”, saindo em janeiro de 2018 para o Tottenham por uma verba inferior à que tinha custado (de 43 milhões de euros para cerca de 30).

Com Harry Kane como referência ofensiva e o trio Son-Eriksen-Dele Alli indiscutível no apoio ao avançado, o brasileiro não teve propriamente muitas oportunidades para brilhar na primeira temporada, fazendo apenas 11 jogos (e um golo). Esta época, mesmo havendo ainda Lamela na luta por um lugar, foi aproveitando da melhor forma as ausências no setor atacante para somar jogos (43) e golos (12), antes de ser o herói que afastou o Ajax nas meias-finais da Liga dos Campeões com um hat-trick, o primeiro de sempre de um jogador brasileiro nesta fase da principal competição europeia de clubes.

“Este é o melhor momento da minha vida. Tenho de agradecer aos meus companheiros por tudo o que estou a passar, é incrível”, comentou o internacional na zona de entrevistas rápidas após o final do encontro. “Foi um jogo absolutamente ridículo. Estávamos lá no fundo, tentámos lutar e acabámos por ter sorte. Lamento pelo Ajax. O Lucas Moura… Bem, ele ganhou-nos o jogo, merece-o. Esta temporada tem sido uma montanha russa… Espero que lhe façam uma estátua depois disto. Estamos completamente incrédulos. Não há palavras para isto”, destacou Eriksen, médio do Tottenham que passou pelo Ajax. “Todos os jogadores foram uns heróis mas o Lucas… foi um super herói”, resumiu o técnico dos londrinos, Mauricio Pochettino.