O MillenniumBCP lucrou 154 milhões no primeiro trimestre, uma subida de quase 80% em relação ao período homólogo. O resultado na atividade em Portugal mais do que duplicou, anunciou o banco esta quinta-feira, numa conferência de imprensa em Lisboa que aconteceu na véspera de o comendador Joe Berardo — protagonista do chamado “assalto ao BCP” — ser ouvido na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Clientes especiais? “Hoje, no BCP, todos os clientes são especiais”, diz Miguel Maya, presidente da comissão executiva.

Além da melhoria da rendibilidade, que na atividade doméstica ascendeu aos 94 milhões de euros, o banco destaca que voltou a baixar as exposições a ativos problemáticos, para 5,2 mil milhões (que comparam com 7,1 mil milhões no final de março de 2018).

A nível consolidado, o produto bancário aumentou 11,1% para 597,7 milhões de euros, o que inclui o contributo de 68 milhões em “outros proveitos” (que incluem venda de títulos de dívida pública com mais-valia), 167 milhões em comissões (que desceram ligeiramente, na rubrica das comissões de mercados) e 362,7 milhões de euros em margem financeira, isto é, a diferença entre os custos que o banco suporta para se financiar (basicamente depósitos) e os juros que cobra nos empréstimos que concede.

O banco aumentou em 3,7% a carteira de crédito (em cumprimento), o que representa um aumento de 1,2 mil milhões de euros — 44% dos quais relativos a crédito à habitação e 40% do crédito a empresas. A apresentação de resultados do BCP está disponível no website da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), nesta ligação.

A cobrança nas máquinas Multibanco

Num comentário às declarações de Miguel Maya e de outros banqueiros, na quarta-feira, o presidente do BCP repetiu as mesmas ideias. “Nós não estamos a dizer que se deve cobrar. Não é permitido cobrar, por lei, ponto. O que nós defendemos é que se estamos a construir uma União Bancária, as regras têm de ser iguais”, sublinhou Miguel Maya, acrescentando que “nós não estamos a competir só com o banco da esquina”.

Por princípio, explicou, o BCP defende que os serviços devem ser remunerados de forma razoável. Assim, sendo que “não nos passa pela cabeça que vamos conseguir mudar as regras na União Bancária”, tem de se trabalhar no sentido da “convergência”, afirmou Miguel Maya.

Sobre outro produto onde irá passar a haver cobrança a partir de 17 de junho, o MBWay, Miguel Maya confirmou que o banco decidiu passar a cobrar por um serviço que sempre disse que seria pago (estava no preçário mas não era cobrado, num contexto promocional, explicou). Porém, “mais de 70% dos nossos clientes ficam isentos porque já têm ofertas que já lhes permitem estar isentos, desde os jovens até 23 anos e os clientes com pacotes como o cliente-frequente”.

Miguel Maya não quis, no entanto, alongar-se sobre comentários em antecipação à audição de Joe Berardo. “Há vários anos, mas seguramente desde que esta administração entrou em funções que todos os clientes são especiais, não apenas uns especiais”.

O presidente do BCP discordou, contudo, da declaração de Paulo Macedo — que disse que quem ganha com as comissões de inquérito são os bancos concorrentes. “Eu defendo que as coisas negativas de um banco afetam todo o setor, ao passo que as coisas positivas apenas beneficiam o banco em questão”, comentou Miguel Maya, elogiando o trabalho que tem sido feito pela administração de Paulo Macedo mas dizendo que não têm de “concordar em tudo”.