A escalada da tensão entre os Estados Unidos e o Irão, com o país do Médio Oriente a ameaçar com o regresso ao enriquecimento de urânio no caso de as principais potências mundiais não negociarem um novo acordo nuclear, levou Mike Pompeo a uma viagem pela Europa numa verdadeira campanha de sensibilização.

O Secretário de Estado norte-americano passou por Londres depois de cancelar uma visita com Angela Merkel e viajar de urgência para o Iraque, de onde vinham suspeitas de que forças iranianas estariam a preparar ataques contra tropas americanas posicionadas no Médio Oriente.

Depois do ultimato do presidente do Irão, Hassan Rouhani, que deu às potências nucleares 60 dias para renegociarem e apresentarem uma nova versão do acordo, o representante de Trump para os assuntos externos garantiu, em entrevista ao The Telegraph, que as relações entre os eternos aliados Estados Unidos e Reino Unido podem arrefecer no caso de os britânicos não apoiarem a posição de Trump.

“Achamos que o caminho ideal é que todas as nações se unam ao regime de sanções que existe hoje”, disse Pompeo acrescentando que “negar dinheiro ao Irão para fomentar o terror e os testes nucleares é a coisa mais acertada a fazer”.

A pressão agora exercida pelos americanos surge na sequência das declarações de Jeremy Hunt, ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, ao deixar claro que o governo de Theresa May está ao lado do acordo nuclear subscrito durante o mandato de Obama e que Donald Trump decidiu abandonar. Pompeo acredita que será difícil um acordo com os britânicos nesta matéria “ver a luz do dia”, mas não desiste de colar os subscritores do acordo a uma estratégia de apoio ao Hezbollah e ao “terrorismo das milícias xiitas no Iraque”.

Huawei nunca teria acesso à rede 5G com Margaret Thatcher

Depois de Theresa May ter aprovado numa reunião secreta o acesso dos chineses da Huawei ao 5G do Reino Unido, num caso que levou à demissão do secretário de estado da defesa, Mike Pompeo deixou no ar uma pergunta: “será que Margaret Thatcher daria à Huawei acesso à rede 5G?”.

A pergunta do secretário de estado americano foi feita em tom retórico numa conferência de imprensa depois da reunião com a primeira-ministra britânica, nesta quarta-feira. A resposta, seguiu, uma vez mais, «com uma pergunta de tom claro: “Porque razão devemos conceder este poder [de acesso à rede 5G] a um regime que já violou grosseiramente o ciberespaço?”

“Os Estados Unidos têm a obrigação de garantir que os locais em que operamos, onde há informações americanas que põem a nossa segurança nacional em risco, operem dentro de redes confiáveis. E é isso que vamos fazer”, garantiu mesmo sabendo que a posição britânica pode ir no sentido de abrir as portas à empresa chinesa de comunicação.

NATO “vai continuar a ser bem sucedida”

O secretário de estado americano abordou ainda a NATO para voltar a insistir na necessidade de os integrantes da aliança atlântica aumentarem as suas contribuições. Para o secretário de Estado da administração Trump é fundamental haver prontidão contra as novas ameaças mundiais, incluindo da China.

Embora o presidente americano se tenha mostrado por várias vezes cético quanto à necessidade da aliança de defesa, Mike Pompeo veio agora reforçar que “a NATO, 70 anos depois, está numa posição melhor e vai continuar a dar segurança aos países nela envolvidos. A NATO vai sobreviver e continuar a ser  bem sucedida”, concluiu.