“Agradar, Amar e Correr Depressa”

Os filmes de temática “gay”, sobretudo os que se passam nos anos 80 e 90, quando do auge da devastação causada pela Sida, não têm que ser todos melodramáticos e demonstrativos como o oscarizado “Filadélfia”, de Jonathan Demme, nem militantes e agitados, como o mais recente “120 Batimentos por Minuto”, de Robin Campillo. O autobiográfico “Agradar, Amar e Correr Depressa”, de Christophe Honoré, foge aos registos destes dois, e também porque eles não fazem o estilo do autor de “Em Paris” e “As Canções de Amor”, que filma aqui, entre Paris e Rennes, na década de 90, um romance homossexual entre um rapaz e um escritor mais velho, contrariado não por terceiros ou pela sociedade, mas pela Sida. E fá-lo com pudor, uma ironia amarga, o realismo necessário, o tom emocional absolutamente certo e a contribuição preciosa de um trio de atores perfeito, Pierre Deladonchamps, Vincent Lacoste e Denis Podalydès.

“Hotel Império”

O furor da construção em massa, da especulação imobiliária desenfreada e da alteração radical da paisagem urbana também atingiu Macau, como mostra Ivo Ferreira em “Hotel Império”,  a sua nova longa-metragem. Maria (Margarida Vila-Nova), uma portuguesa lá nascida e proprietária muito endividada, com o pai velho e doente, de um hotel decrépito, resiste por todas as formas a quem o quer comprar, para o demolir e erguer um edifício novo, nem que para isso recorra à intimidação e à violência. O realizador, que tem vivido em Macau desde meados da década de 90, conhece bem o local e sabe aproveitá-lo visualmente. O que falta a “Hotel Império” é uma história mais preenchida de peripécias, com mais sumo narrativo, mais consistente do ponto de vista dramático e logo mais aliciante para o espectador. Não lhe basta ter o bom olhar, o sentido dos ambientes e os atores certos.

“The Beach Bum: A Vida numa Boa”

Harmony Korine realiza esta filme em que Matthew McConaughey interpreta Moondog, um “hippie” velho e poeta “alternativo” e desregrado que vive na Florida e gasta os dias a beber copos, fumar erva e fazer disparates. Moondog está encostado ao dinheiro da mulher, uma milionária que visita de vez em quando, para ir buscar contado, ter sexo ou em ocasiões especiais, como o casamento da sua única filha. Um dia, a mulher morre num desastre de automóvel a que Moondog sobrevive, e este descobre, na leitura do testamento, que não terá direito a um centavo da fortuna, nem acesso à mansão á beira-mar e aos bens que ela deixou, enquanto não acabar o livro que anda a escrever há anos. “The Beach Bum: A Vida numa Boa” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.