Angola

Angola. João Lourenço pede à Sonangol maior velocidade na construção de refinarias

João Lourenço comparou o combustível ao sangue que "nos faz viver" e alertou para a necessidade de investir em refinarias nacionais. Lourenço afirmou que a crise de combustível está já ultrapassada.

Na quarta-feira, João Lourenço exonerou Carlos Saturnino da liderança da petrolífera e nomeou para o cargo Sebastião Pai Querido Gaspar Martins

ALEXEI DRUZHININ / SPUTNIK / KREMLIN POOL / POOL/EPA

O Presidente angolano pediu esta sexta-feira ao novo Conselho de Administração da Sonangol maior velocidade no processo de construção de refinarias em Angola, para que “jamais se repitam os momentos difíceis” da escassez de combustível que o país atravessou.

João Lourenço, que falava na cerimónia de tomada de posse do novo Conselho de Administração da petrolífera estatal angolana, disse que “gostaria imenso” que a escassez de combustível “não voltasse a se repetir”. “Tal como o sangue que corre nas nossas veias e que nos faz viver, também o combustível para um país acaba por ser esse mesmo sangue, que faz mover a economia e fazer com que o bem-estar dos cidadãos seja garantido, desde que haja combustível e, portanto, energia”, comparou João Lourenço.

Segundo o chefe de Estado angolano, foi um momento difícil, entretanto, ultrapassado, e a esperança está depositada no novo Conselho de Administração da Sonangol, para que jamais se repitam os momentos difíceis que se enfrentaram nas últimas semanas. “Depositamos a esperança em que, com o vosso trabalho, com modéstia, com espírito de equipa, façam tudo para que jamais se repitam os momentos difíceis que acabamos de atravessar e é precisamente nesses momentos que nos recordamos da imperiosa necessidade de o país ter capacidade de refinar os seus próprios produtos derivados do petróleo bruto”, frisou.

O chefe de Estado angolano reiterou a necessidade de o país ter refinarias, “não importa se por via do investimento público ou do investimento privado”, desde que o país crie capacidade para produzir o diesel, a gasolina, os óleos e outros derivados de petróleo, tornando-se autossuficiente para as suas necessidades e exportação dos excedentes. “Considero que, entre as diferentes missões que são da vossa responsabilidade, sem sombra de dúvidas, que esta deve ser considerada a prioritária. Sabemos que está em curso o processo para tornar este sonho realidade e o que gostaria de vos pedir é que imprimam outra velocidade neste mesmo processo que já está em curso”, exortou.

Em declarações à imprensa, o Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, que substituiu no cargo Carlos Saturnino, exonerado na quarta-feira pelo Presidente angolano, disse que as prioridades estão definidas, sendo o programa de regeneração da empresa a garantia para que o “core business” da petrolífera estatal seja “explorar, produzir, distribuir, refinar petróleo bruto e gás para a sociedade”.

“Acabamos de ouvir as palavras do Presidente da República, que definiu claramente as preocupações do executivo e que têm de ser também as preocupações deste novo Conselho de Administração, que têm a ver com a garantia de abastecimento de produtos refinados ao país e, ao mesmo tempo, ter a certeza que este produto se mantém contínuo, o que passa pela construção das refinarias que fazem parte da nossa atividade”, referiu.

Relativamente aos subsídios dos combustíveis pelo Estado, Sebastião Martins disse que há um trabalho conjunto com vista a analisar até que ponto podem “ser aligeirados”, tendo em conta que “a empresa tem estado, de facto, numa situação em que a parte dos subsídios pesa bastante na tesouraria”.

Questionado sobre se haverá aumento do preço dos combustíveis, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol não avançou quando se vai verificar, comentando apenas que há um trabalho conjunto de concertação, “de modo a que todos se sintam satisfeitos”. “O certo é que tem de ser um preço que satisfaça de modo financeiro os cofres do Estado, mas que também faça com que a população não seja penalizada”, realçou.

Sobre a escassez de combustível, o responsável disse estar a ser ultrapassada, afirmando que “há stock suficiente” e que as longas filas nos postos de abastecimento que ainda se verificam são “apenas uma questão de tempo”. “O que acontece neste momento é o efeito que normalmente sucede logo a seguir a questões de stock reduzido. Mas, como estamos numa fase em que o produto existe e o fornecimento aos postos de abastecimento também está a ocorrer, é apenas uma questão de tempo. Rapidamente estará debelado”, referiu.

As mudanças de João Lourenço na administração da Sonangol aconteceram na sequência da crise de combustíveis que está a afetar Angola desde sexta-feira passada, que levou a uma escassez de gasolina e gasóleo em todo o país, face a alegadas dificuldades da petrolífera estatal angolana em importar o produto por falta de divisas.

Na terça-feira, após uma reunião que João Lourenço manteve com a equipa económica do Governo e com a administração da Sonangol, um comunicado da Casa Civil do Presidente de Angola indicou que a falta de diálogo entre a petrolífera estatal e o Governo “contribuiu negativamente” para o processo de importação de combustíveis e consequente escassez do produto no mercado em todo o país.

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