Prisões

Detetados mais cinco vídeos filmados por reclusos e partilhados no Facebook

Em causa estão 5 vídeos divulgados nas redes sociais no início desta semana e gravados em três prisões diferentes: Izeda, concelho de Bragança, Carregueira, em Sintra, e Pinheiro da Cruz, em Grândola.

A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais anunciou que irá sancionar os reclusos envolvidos

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Foram detetados mais cinco vídeos gravados no interior de três prisões diferentes e divulgados posteriormente em redes sociais. Ao que o Observador apurou, dois vídeos foram filmados no Estabelecimento Prisional (EP) de Izeda, concelho de Bragança, dois no EP da Carregueira, em Sintra, e um outro no EP de Pinheiro da Cruz, em Grândola.

Contactada pelo Observador, fonte da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) anunciou que irá sancionar “os reclusos envolvidos” — sanções que poderão ir, “consoante o grau de participação da cada um no ilícito disciplinar, até ao internamento em regime de segurança, como tem acontecido em todas as situações anteriores”.

[Os novos vídeos gravados por reclusos em 3 prisões]

Num dos dois vídeos gravados no interior da cadeia de Izeda, aparecem dois reclusos, numa cela. Um deles está de tronco nu, a dançar ao som de uma música que se ouve nas filmagens. Outro está sentado na cama a mexer num telemóvel e, pelo que é percetível sobre o que vai dizendo, está a fazer uma chamada com alguém que se encontra no exterior da prisão. “As pessoas ainda estão acordadas. Mais um bocado e eu vou dormir. Podes ficar aí um bocado e, quando chegares a casa, a gente fala como falamos sempre (…). Estou numa cela que tem mais gente. Não vou estar a mandar todo o mundo ficar calado”, diz. O outro vídeo filmado na mesma prisão, com pouco mais de 20 segundos, mostra um recluso que se filma a ele próprio.

Já nos dois vídeos gravados do interior da prisão da Carregueira, os reclusos filmam uma fogueira em cima de uma bancada que aquece um recipiente de metal onde estão a cozinhar. “Esse comer aqui vale uma fortuna, dentro da cadeira“, diz um dos intervenientes.

Outro vídeo, de quase um minuto, gravado na prisão de Pinheiro da Cruz, mostra um recluso a ser filmado por outro que lhe vai indicações sobre como posar para as filmagens: “Faz peito ou bícep”, “encolhe a barriga” ou, até, “sorri que elas ficam loucas”.

Vários casos têm vindo a ser denunciados nos últimos meses

É mais um caso entre outros conhecidos nos últimos meses e que são a prova de que os reclusos têm acesso a telemóveis dentro das cadeias. Ainda esta segunda-feira, veio a público um vídeo gravado por oito reclusos no interior no Estabelecimento Prisional de Leira Jovens (EPLJ). O vídeo, ao qual o Observador teve acesso, foi publicado no início do mês de maio e mostra vários reclusos no interior de uma cela a cantar e a dançar. Nas filmagens, inicialmente divulgadas pelo Correio da Manhã, é ainda possível ver um recluso a enrolar um cigarro e a fumá-lo de seguida.

Questionada pelo Observador, DGRSP anunciou que iria sancionar os envolvidos. Esta terça-feira, foram realizadas buscas no EPLJ ordenadas pelos Serviços Prisionais, a fim de apreender os telemóveis que possam ter sido usados nas filmagens, mas não foram encontrados quaisquer aparelhos, apurou o Observador.

Em fevereiro deste ano, a transmissão em direto, no Facebook, de um festa de aniversário dentro da prisão de Paços de Ferreira, levou mesmo à demissão da diretora daquele estabelecimento prisional, Maria Fernanda Monteiro Barbosa. À data, a DGRSP instaurou “um inquérito interno, a cargo do Serviço de Auditoria e Inspeção, e coordenado por um procurador”. Numa busca realizada depois do caso ter sido conhecido, foram apreendidos 79 telemóveis, tabaco e droga.

Menos de um mês depois, dois reclusos do Estabelecimento Prisional de Vale De Judeus foram filmados a realizar um combate de boxe ilegal. No final de abril, outra transmissão em direto do uma festa, desta vez no Estabelecimento Prisional do Linhó — e onde se via um recluso a cortar o cabelo a outro com uma tesoura. Mas muitos casos não chegam a vir a público. Diariamente, são feitas publicações nas redes sociais, a partir do interior das prisões, por parte de reclusos.

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