Era um dos IPO (admissão de uma empresa em bolsa) mais antecipados e o maior desde que a Alibaba começou a ser cotada na bolsa de Nova Iorque, em 2014. A partir desta sexta-feira, quem quiser comprar ações da Uber pode fazê-lo.

Os títulos começaram com uma cotação de 45 dólares cada, na quinta-feira, o que posicionava o preço no mínimo do intervalo previsto (entre 44 e 50 dólares) pela empresa antes do IPO e abaixo das expectativas dos investidores. A este preço, a empresa liderada por Dara Khosrowshahi entrou em bolsa a valer 82,4 mil milhões de dólares, quando o intervalo máximo lhe permitia chegar aos 91 mil milhões.

Apesar de, no IPO de quinta-feira, a Uber ter vendido 180 milhões de ações a 45 dólares cada (e captado 8,1 mil milhões de dólares), as primeiras transações desta sexta-feira, ao meio-dia (hora de Lisboa), começaram com uma queda de perto de 7%, com o preço por ação a fixar-se nos 42 dólares, segundo a Bloomberg. Às 11h57, o preço já tinha caído 8% para 41,44 dólares, avaliando a empresa em 71 mil milhões. No fecho, as ações da Uber valiam 41,35 dólares. Ou seja, uma desvalorização de 8% face ao preço definido no IPO, como refere o Financial Times.

A estreia da Uber na bolsa nova-iorquina acontece no dia em que a subida das taxas alfandegárias norte-americanas aos bens importados da China entra em vigor, o que tem causado alguma turbulência nos mercados financeiros e agravado a guerra comercial entre os dois países.

O polémico fundador da Uber, Travis Kalanick, assistiu à cerimónia numa galeria da bolsa de Nova Iorque juntamente com o pai, enquanto alguns colaboradores, investidores da empresas e membros do conselho de administração da empresa assistiram do chão da bolsa. O ex-CEO pediu a Dara Khosrowshahi para estar no balcão onde o sino é tocado, mas não lhe foi permitido o acesso. Chegou a Wall Street num UberX.

Antes do arranque da sessão, Dara Khosrowshahi escreveu uma carta para os colaboradores da startup que fica na história como o unicórnio — empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares — mais valioso dos mercados privados, que chega à bolsa nova-iorquina a somar prejuízos, sem se comprometer com lucros. Na carta, o executivo iraniano de 49 anos explica que, nos últimos 10 anos, a empresa teve “muitos grandes momentos”, aos quais se soma o desta sexta-feira.

“Desde a nossa primeira viagem no verão de 2010 até hoje, a Uber redefiniu o que significa escalar uma startup — de apenas alguns carros e trabalhadores para operações em mais de 60 países, mais de 10 mil milhões de viagens e com 3,9 milhões de pessoas a trabalharem para a nossa plataforma”, lê-se na carta citada pela Bloomberg.

Khosrowshahi escreve ainda que “em todos os bons mas também nos não assim tão bons momentos, aparecemos todos os dias [na empresa] com um objetivo, um desafio, e fomos inspirados pela promessa daquilo em que a Uber se poderia transformar um dia”. O CEO acrescenta que o “IPO é um grande momento”, que só aconteceu graças à “paixão, trabalho duro e ingenuidade” de todos.

“Enquanto passamos de uma empresa privada para uma pública, os nossos trabalhos vão tornar-se, sem dúvida, ainda mais difíceis e todos os olhos vão estar postos em nós. Vamos ter uma ainda maior responsabilidade perante os nossos consumidores, os nossos acionistas, as nossas cidades e perante nós. Em cada ação que for comprada, há alguém que se junta a nós como co-proprietário da Uber — e vamos ganhar mais uma pessoa a quem vamos dever sempre a obrigação ‘de fazer a coisa certa, ponto final'”, lê-se.

Na parte final da carta, Khosrowshahi assume que vão existir alturas em que não vão ser bem compreendidos e outras em “que serão tratados como heróis”. “É nesses dias, independentemente dos altos e baixos, que nos devemos focar no nosso trabalho: em criar oportunidades, fazer avançar o mundo, inovando e executando implacavelmente”.