“Hoje em dia já não há gente na grelha [de pilotos da Fórmula 1] que venha de famílias da classe trabalhadora”. A frase foi dita em 2018 pelo britânico Lewis Hamilton, o homem que atualmente é considerado o melhor piloto de F1 do mundo, como uma crítica a casos como o do piloto de Lance Stroll.

O canadiano chegou a fazer testes pela Williams/Mercedes em 2016 e, como escreve o El Mundo, é visto como “o miúdo mimado” da F1 porque, atualmente, compete numa equipa — a Racing Point — detida pelo pai, o multimilionário canadiano Lawrence Stroll.

Em 2016, um ano antes de começar a correr na mais conhecida prova de automobilismo do mundo, Stroll fez várias provas com a Williams, equipa que o escolheu como piloto subsituto em 2017 e 2018. Segundo membros da Williams, uma das principais equipas da F1, Stroll chegou a cancelar testes privados que aquele construtor organizou só para testar as suas capacidades com a seguinte desculpa:

Hoje não posso fazer as provas porque tenho um festa no iate de um amigo e não vou faltar”.

Mesmo tendo abdicado destas provas, Stroll acabou por ser escolhido pela Williams para piloto substituo de Felipe Massa. Agora, é pela Racing Point que conduz. A razão para esta escolha — o seu pai é o dono da equipa — é que faz com que não tenha o respeito dos colegas mais veteranos, diz o mesmo jornal, sendo visto como “o miúdo mimado que pôde colar-se à elite [de pilotos]”.

Para Hamilton, são casos como este que fazem com que a F1 possa perder uma premissa: “os melhores pilotos conduzem os melhores carros”. E quando assim é, só se pode concluir que esta modalidade já não move as multidões que outrora movia.