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Coração

Novo tratamento pode reduzir drasticamente risco de ataque cardíaco com injeção única

Tratamento visa simular a mutação natural que previne ataques cardíacos. Pode evitar gastos em medicamentos e tratamentos simultâneos. No entanto, cientistas alertam para os perigos do processo.

A fase experimental do tratamento deve começar dentro de três anos, dizem os peritos

Shidlovski/Getty Images/iStockphoto

Um conjunto de médicos da Universidade de Harvard apresentaram um plano terapêutico que visa a redução drástica do risco de ataque cardíaco, a maior causa de morte no mundo, com uma vacina única — avança o The Guardian.

Os peritos esperam pôr em prática a terapia nos próximos três anos em pessoas com condições genéticas raras e com tendência para ataques cardíacos entre os 30 e 40 anos de idade. Se o tratamento resultar e tiver um efeito efetivo nos pacientes, os médicos pretendem disponibilizar a vacina a um conjunto mais alargado de doentes.

“A terapia vai ser relevante, na nossa opinião, para qualquer adulto em risco de ataque cardíaco”, disse Sekar Kathiresan, cardiologista na Faculdade Médica de Harvard e líder da investigação.

Estamos confiantes de que podemos mudar a forma de ataque às doenças coronárias de um modelo crónico para um tratamento único”, disse Kathiresan.

As doenças cardíacas lideram a causa de morte em muitos países. Todos os anos, cerca de 18 milhões de pessoas morrem vítimas de doença cardíaca, e cerca de 85% das mortes são causadas por AVC e ataques cardíacos. Pessoas em risco de ataque cardíaco são habitualmente submetidas a uma variedade de medicamentos, como coagulantes sanguíneos, medicamentos que baixam o colesterol e comprimidos para reduzir a pressão sanguínea. A maioria destes medicamentos deve ser tomada pelos pacientes até ao fim da vida.

Assim, com um tratamento único que protege o paciente permanentemente contra ataques cardíacos, os investigadores esperam alterar não só o impacto que a doença cardíaca tem na vida dos doentes, mas também os custos que estes têm de suportar em serviços de saúde. As doenças cardiovasculares custam anualmente ao Serviço Nacional de Saúde inglês mais de 7 mil milhões de libras (cerca de 8,1 mil milhões euros).

Em vez de visar o coração, a terapia permite modificar genes no fígado que produzem lipoproteínas de baixa densidade — ou colesterol mau. Com o avançar da idade, o colesterol pode acumular-se nas artérias e causar bloqueios que levam a ataques de coração. No tratamento, serão injetados na corrente sanguínea nanolípidos que procurarão fixar-se em células do fígado. O objetivo é que os nanolípidos libertem um gene molecular e, assim, seja simulada a mutação natural que permite a proteção contra ataques cardíacos.

O responsável da investigação prevê que os primeiros testes possam começar a ser realizados dentro de três anos. Contudo, alguns cientistas apontam riscos e dificuldades no tratamento. Se os comprimidos tiverem efeitos secundários, o paciente pode simplesmente interromper o seu consumo. No entanto, apontam os peritos, a terapia genética é praticamente irreversível.

O problema com todas as terapias genéticas é que não podemos retirar as pessoas do tratamento”, diz Sian Harding, professor de farmacologia cardíaca na Universidade Imperial de Londres.

“Precisamos de colesterol para algumas coisas e reduzir o seu nível em demasia pode ter efeitos devastadores no corpo humano. É um problema, se não for possível de controlar e se se tornar algo irreversível”, explicou.

Colesterol elevado é algo comum na família de Sekar Kathiresan, líder da investigação. O irmão e o tio do investigador morreram aos 42 anos de idade, ambos vítimas de ataques cardíacos. Hoje, Kathiresan mantém o seu nível de colesterol controlado com medicamentos e um estilo de vida saudável e passou os últimos 15 anos a identificar genes que aumentam ou reduzem o risco de ataques cardíacos. Demitiu-se do seu cargo em Harvard e criou uma startup chamada Verve Therapeutiscs, responsável pelo desenvolvimento do inovador tratamento. Recebeu de investidores, como a Alphabet — empresa que controla a Google –, cerca de 58,5 milhões de dólares (cerca de 52 milhões de euros) para o processo.

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