Timor-Leste

Presidente timorense pede mais qualidade aos media timorenses para reforçar democracia

O Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo defende que a "existência de uma imprensa responsável e livre" é fundamental para a manutenção de uma democracia forte em Timor.

"Uma das condições fundamentais de uma democracia é a liberdade de expressão", defendeu Francisco Guterres Lu-Olo

ANTONIO DASIPARU/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, defendeu hoje um reforço da qualidade da comunicação social em Timor-Leste, preservando uma imprensa responsável e livre, condições essenciais para fortalecer a democracia do país.

“Uma das condições fundamentais de uma democracia é a liberdade de expressão e a existência de uma imprensa responsável e livre”, disse Lu-Olo num discurso em Díli.

“A qualidade da informação prestada é um requisito fundamental para uma sociedade constituída por cidadãos responsáveis. A falta de qualidade e credibilidade da informação pode levar os cidadãos a tomarem decisões erradas, que não têm qualidade em termos de certeza e segurança”, disse.

Lu-Olo falava na sessão de encerramento do Díli Dialogue Fórum, em Díli, organizado pelo Conselho de Imprensa sobre os desafios que as redes sociais colocam ao jornalismo da atualidade.

A propósito deste tema, Lu-Olo disse que um dos desafios maiores ao exercício do jornalismo tem sido a expansão das redes sociais e o “fenómeno preocupante das fake news”.

“Uma sociedade deve viver em comunhão através do acesso a informações verdadeiras. A mentira corrompe os valores e os princípios da democracia e da liberdade! No fundo, é a verdade que liberta homens e mulheres e os transforma em cidadãos responsáveis em benefício do seu país. O melhor remédio para a mentira é a consciência de cada cidadão”, afirmou.

Lu-Olo considerou que “a liberdade de imprensa é a base fundamental de qualquer regime democrático” e que “a qualidade de uma democracia assenta na responsabilidade e maturidade dos profissionais da comunicação social”.

Timor-Leste, recordou, tem uma “vasta experiência de viver sob um regime totalitário, durante os 24 anos de ocupação indonésia”, tendo o papel dos jornalistas sido vital para a luta pela independência.

Lu-Olo recordou os cinco jornalistas australianos mortos em Balibo em 1975, o timorense Borja da Costa e Roger East, que foram mortos em Díli em 1975, Kamal Bamadhaj, no massacre de Santa Cruz em 1991 e Sander Thoenes e Agus Mulyawan em 1999.

Destacou ainda vários jornalistas portugueses, incluindo da Lusa, que acompanharam o período de ocupação de Timor-Leste e que “deram o seu contributo para o processo de libertação” do país.

Durante o encontro, Lu-Olo conferiu ao jornalista português Adelino Gomes, uma condecoração do Conselho de Imprensa em reconhecimento do seu papel na cobertura de Timor-Leste durante a ocupação indonésia.

Estava previsto a entrega este ano do novo Prémio de Jornalismo Adelino Gomes, mas o júri não identificou nenhum trabalho que cumprisse os critérios de exigência.

“Ser um jornalista é um privilégio. Os jornalistas devem agradecer à sociedade, e a melhor forma de agradecer é fazendo cada vez mais um jornalismo mais livre e mais responsável que aspire sempre à excelência”, disse Adelino Gomes, numa intervenção no encontro.

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