Na manhã em que é votada na Assembleia da República o diploma que prevê a devolução dos nove anos, quatro meses e dois dias aos professores, Rui Rio foi à Renascença para explicar que devolver dinheiro aos professores “depende muito do crescimento económico” do país. Mas, prometeu, se for primeiro-ministro e a manterem-se as atuais condições, cerca de 2% de crescimento real, restituirá o tempo congelado já na próxima legislatura.

Mário Centeno foi um dos alvos do líder do PSD. “As contas do ministro das finanças são falsas sempre”, atacou Rio, garantindo que é possível fazer a devolução do tempo integral aos professores “com pouco dinheiro”, mas insiste na necessidade de um travão financeiro.

Pedir ao PS para votar travão financeiro é como “pedir ao peru que vote a favor do Natal”, diz Rio

“Nós não podemos aprovar uma lei que não tenha travão financeiro porque daqui a um ano ou dois teríamos um problema orçamental grave”, começa por referir, para logo a seguir adiantar: “Podemos reconhecer o tempo integral dos professores com relativamente pouco dinheiro porque o tempo não tem que ser reconhecido todo em salário”, explicou Rio retomando a ideia que já tinha apresentado na entrevista de terça-feira à TVI.

A devolução de rendimentos aos professores pode ser feita “em redução do horário de trabalho ou em aposentação mais cedo para os professores que têm esse tempo acumulado”, detalhou.

A ameaça de demissão do primeiro-ministro também foi alvo de análise do antigo autarca do Porto que acusou António Costa de ser um “foco de instabilidade para o país”, chegando mesmo a acusá-lo de “uma manipulação total dos comentadores e da comunicação social”.

Mas, contrariamente ao que afirmara uns dias antes, António Costa não perdeu um amigo. A relação de amizade entre os dois, garante, mantém-se sem ter sido afetada por esta crise política a que chamou um thriller com o título “Demissão sem justa causa” num tweet publicado na quinta-feira à noite.