Desde que se sagrou campeã italiana pela oitava vez consecutiva, a Juventus tem vindo a realizar jogos atrás de jogos apenas para cumprir calendário. Já fora da Taça de Itália e já fora da Liga dos Campeões, os italianos limitam-se a disputar as jornadas previstas pela Liga italiana e a tentar somar o máximo de pontos até ao final da temporada. Depois de dois empates consecutivos, primeiro com o Inter Milão e depois com o Torino, a equipa de Cristiano Ronaldo viajava este domingo até à capital para defrontar a Roma.

A Juve aproveitava o jogo grande da antepenúltima jornada da Serie A para estrear aquela que será a camisola principal na próxima temporada: desaparecem as habituais riscas brancas e pretas, aparece uma fina risca cor-de-rosa ao centro que divide a metade branca da metade preta. Com camisola nova mas sem Bernardeschi, Moise Kean, Mandzukic e Bonucci, Massimiliano Allegri apostava na titularidade de Cáceres e Dybala para tentar vencer uma Roma que ainda sonha com a Liga dos Campeões –à entrada para o jogo deste domingo, estava no sexto lugar a três pontos do Inter que é quarto, a última posição que dá acesso à Champions.

A Juventus realizou uma primeira parte de algum ascendente relativamente à Roma mas esbarrou na grande exibição de Mirante, o guarda-redes de 35 anos da equipa orientada por Claudio Ranieri, que evitou três oportunidades claras dos bianconeri: primeiro foi Cuadrado, que apareceu isolado a passe de Dybala (6′), depois foi o argentino, assistido por Cristiano Ronaldo (16′), e novamente Dybala (28′), que estava a ser o elemento mais influente da Juve.

Na segunda parte, Allegri decidiu baixar as linhas e encurtar os espaços entre os setores, numa tentativa de montar uma armadilha ao conjunto de Ranieri: a Roma estava a procurar o golo e a correr mais riscos, acabando por cometer alguns erros na primeira fase de construção que abriam os corredores para os contra-ataques rápidos da Juventus. Foi exatamente assim que Cristiano Ronaldo conseguiu marcar, quando Dybala soltou um passe longo a rasgar a defesa adversária e o avançado rematou rasteiro à saída de Mirante, mas o golo acabou por ser anulado por fora de jogo do português (64′).

A Juventus não conseguiu chegar à vantagem e acabou mesmo por permitir dois golos à Roma, primeiro através de um bonito entendimento entre Florenzi e Dzeko que terminou com um remate cruzado do lateral que é capitão (79′) e depois por intermédio do bósnio já no tempo de descontos (90+3′) — tudo isto após Ranieri agitar as águas com a entrada de Cengiz Ünder, o miúdo turco de apenas 21 anos. Desde que foi campeã, no início de abril frente à Fiorentina, a equipa de Cristiano Ronaldo leva dois empates e uma derrota e não somou mais do que dois pontos em três jogos. Era expectável e até compreensível que a Juve quebrasse o ritmo e entrasse numa espécie de velocidade cruzeiro até ao final da temporada: mas não era expectável nem é sequer compreensível que o conjunto de Allegri deixe de lutar por todos os jogos.