Uma, duas, três. Até chegar à Mercedes, Valtteri Bottas nunca tinha conseguido uma pole position na Fórmula 1 nos anos que passou a correr pela Williams; a partir de 2017, essa realidade mudou. Estreou-se com a melhor qualificação no Bahrain, teve mais uma na Áustria e acabou o Mundial com duas poles consecutivas, no Brasil e em Abu Dhabi – naquele que foi o seu registo máximo. Depois de ter sido terceiro classificado há dois anos, apenas atrás do campeão Hamilton e do rival da Ferrari Sebastian Vettel, o finlandês não conseguiu dar continuidade a essa boa estreia na equipa e acabou em 2018 o Mundial na quinta posição, atrás do companheiro de equipa, dos dois Ferraris e do Red Bull de Max Verstappen. Agora, a realidade está a mudar.

Valtteri Bottas conquista em Barcelona terceira ‘pole’ seguida no Mundial de F1

Depois de ter regressado à liderança da classificação no Azerbaijão com um ponto a mais do que Hamilton, Bottas conseguiu pela primeira vez alcançar a terceira pole position seguida, saindo em Barcelona na frente do companheiro da equipa de Mercedes e, nesta fase, grande rival na luta pelo primeiro lugar. Na China, essa vantagem não teve resultados práticos, com o triunfo a sorrir ao britânico no final; no Azerbaijão, esse avanço foi decisivo para assegurar a vitória. Agora, até pelos resultados registados em Barcelona, esse era o grande desafio do finlandês para assegurar também pela primeira vez na carreira dois triunfos consecutivos. No entanto, num arranque muito interessante de corrida, Lewis Hamilton foi melhor – e ganhou aí a corrida.

Como Pietro Fittipaldi (neto do antigo bicampeão mundial Emerson Fittipaldi) tinha reforçado por mais do que uma vez antes da corrida à Eleven Sports, o aumento do calor em Espanha com o passar do dia, a colocar temperaturas a rondar os 40 graus na pista, colocaria a questão do desgaste dos pneus como um dos pontos chave da corrida. Também por isso, Vettel arriscou tudo na saída para tentar, pelo menos, colocar-se no meio dos Mercedes. A certa altura da longa reta até chegou a dar ideia de que seria possível o alemão subir uma posição mas uma travagem muito em cima da curva permitiu que Bottas mantivesse o segundo lugar atrás de Hamilton, que se instalou de forma confortável na liderança. Mas o pior ainda estaria para vir para o germânico.

Pouco depois, em mais um grande momento em Montmeló, Verstappen ultrapassou os dois Ferraris e chegou à terceira posição enquanto na frente Bottas e Hamilton iam alternando a melhor volta na corrida; mais tarde, na 12.ª de 66 voltas, foi Leclerc a passar finalmente o companheiro de equipa Vettel para tentar reduzir a distância que tinha sido entretanto criada para o holandês da Red Bull; por fim, e à 17.ª volta, o germânico deu indicações de que necessitava a todo o custo de ir às boxes trocar os pneus (o direito já com marcas bem visíveis), qualquer que fosse a nova estratégia da equipa para a sua corrida. A troca valeu mesmo a pena e, após fazer a volta mais rápida, Vettel voltou a andar na traseira de Leclerc.

A pouco mais de 20 voltas do final, a única mexida na classificação tinha sido de Verstappen, quando fez a segunda paragem nas boxes. Antes e depois, havia poucas dúvidas sobre o resto da corrida. Até que, na 46.ª volta, Lance Stroll e Lando Norris saíram de pista, obrigando à entrada do safety car – e também aqui se viu a atual diferença entre Mercedes e Ferrari, com Hamilton a passar de imediato nas boxes para trocar de pneus enquanto a escuderia italiana ainda pensava nessa operação (que viria a acontecer). Seis voltas depois, o safety car saiu, Hamilton voltou a conseguir uma distância confortável de Bottas, Vettel atacou (sem sucesso) Verstappen pela terceira posição e Leclerc sentiu problemas para segurar o quinto lugar.

Lewis Hamilton venceu mesmo um Grande Prémio desde início, recuperou a liderança do Mundial e conseguiu apenas pela segunda vez na carreira somar primeiros ou segundos lugares nas cinco primeiras corridas da temporada (o outro ano tinha sido o do bicampeonato, em 2015). Em paralelo, o britânico somou a quarta vitória em Barcelona, terceira consecutiva, algo que só tinha sido conseguido por Jackie Stewart (1969-71), Mika Häkkinen (1998-00) e Michael Schumacher (2001-05).