A Arábia Saudita anunciou que dois dos seus petroleiros foram “atacados” no passado domingo, tendo sido alvo de atos de “sabotagem”. Riade não deu mais pormenores sobre o tipo de ataque ou quem estará detrás dele.

O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo ministro da Energia, Khalid al-Falih, e divulgado na Agência de Imprensa Saudita (SPA na sigla original). De acordo com o ministro saudita, os dois navios estavam a caminho do porto de Ras Tanura, por volta das 6h da manhã (hora local, 4h em Lisboa) para ser abastecidos e iriam entregar o petróleo a clientes norte-americanos.

Não há feridos a registar, nem derrames, mas Al-Falih garante que houve “danos significativos às estruturas dos dois navios”. O ministro aproveitou ainda para denunciar o alegado ataque como uma tentativa de “minar a liberdade da navegação marítima e a segurança dos abastecimentos de petróleo a consumidores de todo o mundo”, segundo cita a CNN.

O “ato de sabotagem” é divulgado um dia depois de os vizinhos e aliados dos Emirados Árabes Unidos (EAU) terem denunciado “operações de sabotagem” em quatro navios comerciais ao largo da sua costa, também sem feridos. “A comunidade internacional tem de assumir as suas responsabilidades para prevenir quaisquer partes que possam estar a tentar minar a segurança do tráfego marítimo”, denunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros dos EAU.

Não foi esclarecido se os dois petroleiros sauditas fariam parte do grupo de quatro navios aleagadamente atacados perto dos Emirados. Certo é que esse incidente terá ocorrido em águas territoriais dos EAU no Golfo de Omã, perto do emirado de Fujairah. A localização é crucial, já que será perto do estratégico estreito de Ormuz por onde passa um terço de todo o comércio petroleiro feito por via marítima, como relembra a Associated Press.

O incidente terá ocorrido no golfo de Omã, perto do emirado Fujairah, assinalado no mapa, nos Emirados Árabes Unidos (D.R.)

O anúncio do ministro saudita surgiu também horas depois de órgãos de comunicação ligados ao regime do Irão e ao Hezbollah no Líbano — que disputam o controlo da região com os inimigos da Arábia Saudita e dos restantes Estados do Golfo — terem noticiado uma explosão no porto de Fujairah, que envolveria sete navios petroleiros. Os Emirados negaram essa informação e pediram “responsabilidade” aos órgãos de comunicação.

A Associated Press relembra ainda que estes anúncios surgem num momento em que a tensão na região parece estar a aumentar. Na passada quinta-feira, a Administração Marítima dos Estados Unidos (órgão pertencente ao Departamento dos Transportes) emitiu um aviso sobre possíveis ataques iranianos no estreito de Ormuz: “Desde o início de maio que há uma maior probabilidade de que o Irão e/ou os seus procuradores regionais possam tomar atitudes contra os EUA e os seus parceiros, incluindo as infraestruturas de produção de petróleo, depois de terem ameaçado recentemente encerrar o estreito de Ormuz”, diz o aviso citado pela AP.

O Irão ou os seus procuradores podem atacar navios comerciais, incluindo petroleiros, ou navios militares norte-americanos no Mar Vermelho, no estreito de Bab-el-Mandeb ou no Golfo Pérsico”, dizia o aviso do Governo dos EUA.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, fez uma alteração ao seu plano de viagem na Rússia para ir até Bruxelas, a fim de levar a cabo conversações de emergência com os parceiros europeus. O tema, de acordo com a Reuters, será o Irão.

O Axios relembra que, na passada segunda-feira, Pompeo deixou um aviso a Teerão: “Se o Irão decidir atacar os interesses americanos — seja no Iraque, no Afeganistão, no Iémen ou em qualquer lado no Médio Oriente — estamos preparados para responder de forma apropriada”, disse, numa entrevista à CNBC.