Durante o dia, movem-se entre os mundos da advocacia, engenharia, informática, ensino, aviação e multimédia. Vêm de sítios diferentes, trazem bagagens de vida distintas. À noite, estão unidos pela mesma paixão. A da música. E aí, a cantiga é outra: entregam-se à world music, ao rock, samba, funk, indie pop, soul e ao punk.

A versatilidade no leque de sete finalistas do EDP Live Bands, recém-apurados após votação de um grupo de especialistas (seis destes) e do público (um eleito), comprova o poder que a música tem em unir personalidades diferentes. A prova dos nove tira-se já a 24 de maio na Lx Factory, a partir das 21h na Fábrica L, com a final ao vivo do concurso da EDP, que aposta nos novos talentos da música nacional há já 5 anos.

A entrada é livre e um vencedor será apurado pelos jurados, onde se encontra o convidado especial, Tiago Bettencourt, nesta sexta edição, que tem novidades. À oportunidade de editar um disco com a chancela da Sony Music, de o apresentar nas FNAC de norte a sul e de subir ao palco de dois festivais conceituados – o NOS Alive, em Algés, e o Mad Cool Festival, em Madrid —, junta-se também a gravação de um teledisco como recompensa para a banda vencedora.

A duas semanas da grande noite onde tudo ficará decidido, os finalistas apresentam-se, confessam expectativas, agradecem a rampa de lançamento que representa o EDP Live Bands e já sonham com um concerto no Passeio Marítimo de Algés. Para já, Bocomoco, CATE, Democrash, Duo Ventura & Pitomba, Francisco Primeiro & Os Algazarra, Vasco Vilhena e Y.azz x b-mywingz prometem uma grande noite na Lx Factory.

Bocomoco

O rock psicadélico das décadas de 60 e 70, o minimalismo dos blues e a imprevisibilidade do jazz. A receita que junta estes ingredientes foi apurando e ganhou forma há 2 anos, com a dupla Adolfo Lothar (voz e guitarra) e Yago Oliveira (voz e bateria), naturais de Belo Horizonte. Os Beatles são uma das principais referências. “Fui influenciado pelo meu pai”, recorda Lothar ao Observador Lab. Aos 11 anos, já tocava violão. Hoje, é produtor musical e toca em bares lisboetas.

O salto no percurso dos Bocomoco pode estar ao virar da esquina. “O EDP Live Bands é um projeto que valoriza muito a capacidade artística dos músicos, tendo em conta que a maioria das bandas é escolhida por um júri especializado”, acrescenta. O conjunto de prémios em cima da mesa, confessa, “é o maior sonho” dos Bocomoco. Para a grande final de dia 24, promete uma “apresentação energética, orgânica e imprevisível”.

CATE

Passa várias horas em grandes altitudes, mas só a música a consegue levar às nuvens. Tem a agradecer à irmã, que a inscreveu no concurso. “Quando soube que fui escolhida pelo júri para a final, fiquei completamente surpresa”, começa por contar Catarina Bessa – ou CATE, como se dá a conhecer enquanto artista. É natural do Porto, trabalha como hospedeira de bordo e costuma fazer-se acompanhar por Manuel Dordio na guitarra, o DJ Respeito e Filipa Seia, como voz secundária.

Mostrou o seu soul, r&b e blues ao mundo no verão de 2017, e já lançou três singles, tendo também atuado no Festival Termómetro de 2018. Desde que nasceu que é apaixonada pelo mundo dos refrões, ou não tivesse o seu pai sido DJ. “A música é património mundial. Mudou e influenciou muita coisa no mundo”, revela a cantora, frisando que a oportunidade “espectacular” de gravar um disco e atuar no NOS Alive “é um prémio de sonho”.

Democrash

Há 5 anos, uma troca de mensagens pelo Instagram acabou por unir cinco apaixonados pela música. Uns, já eram amigos; outros, não se conheciam ainda, inclusive vizinhos na mesma rua. Coincidências ou destino? “A música aproximou-os a todos”, conta Rui  Garrido, guitarrista dos Democrash, a banda que conta ainda com Octávio Nunes na voz, guitarra e eletrónicas, Ricardo Resende no baixo, Vítor Martins no sax, percussão e guitarra, e José Fontainhas na bateria.

Tão variadas como as influências da sua sonoridade – do rock ao punk, funk, eletrónica, new wave e free jazz – são as áreas onde trabalham: da advocacia ao design gráfico, passando ainda pela multimédia ou informática. “Uma boa surpresa chegar aos finalistas. Não estávamos à espera. Mais pelo facto de não termos preocupações comerciais com o nosso som. Fazemos a música que queremos”, explica Garrido. Com um disco e um EP lançados com edição de autor, e um terceiro já gravado, olham para uma possível atuação no NOS Alive com “responsabilidade acrescida”.

Duo Ventura&Pitomba

É do casamento entre a música erudita e a world music que nasceu, há 3 anos, a sinergia entre dois brasileiros, João Ventura e Rogério Pitomba, numa fusão inesperada entre piano e bateria. A criatividade já estava nas suas personalidades desde cedo. “Fui embalado por rodas de música na minha casa no Brasil, recheadas por grandes nomes da Música Popular Brasileira. Venho de um lar onde todos somos apaixonados por música. Os meus irmãos, primos e pais não ganham a vida como artistas, mas cada um deles tem um talento específico”, adianta Ventura.

Café e Zero a Três são algumas das músicas que já se podem ouvir no YouTube, mas os olhos estão postos no futuro. “Numa área difícil de alçar grandes voos, como é o caso da música, um concurso deste porte dá a oportunidade e traz mais esperança para todos nós”, elogia o compositor.

Francisco Primeiro & Os Algazarra

Led Zeppelin, Bob Dylan, Leonardo Cohen ou Janis Joplin. Nunca se formou em música, mas a educação musical que a mãe e os irmãos lhe deram em casa foi o suficiente. “Cresci com a música bem presente, dessa malta toda que preencheu, a meu ver, o período mais bonito da música”, conta Francisco Primeiro, voz e guitarra da banda que o junta a João Reis (piano), Daniel Pinto (guitarra), João Bonito (bateria) e Tiago Lima (baixo). “Cantar na nossa língua sobre temas óbvios e outros nem tantos” é o pilar desta banda da Maia, que começou focada na folk e agora navega também pelas “águas do funk, r&b, soul, samba e rock”. O resultado tem sido positivo: foi o voto do público que os levou aos finalistas. “O EDP Live Bands foi a oportunidade para nos pasmarmos com a solidariedade e generosidade das pessoas. O apoio foi inacreditável”, explica o vocalista. Para já, as energias estão concentradas na final ao vivo. “Podem esperar entrega e algazarra. Vamos a Lisboa com o desejo ardente de ganhar, não negamos”, remata.

http://www.youtube.com/watch?v=WnZO2mqDq9U

Vasco Vilhena

“Tudo começou quando o meu pai se recusou a oferecer-me um kit de DJ, porque queria que eu aprendesse música a sério”, ri-se Vasco Vilhena. Tem 25 anos e toca guitarra desde os 11. O desejo de seguir este ramo sempre esteve presente, mas ganhou formas com o passar do tempo. Já lançou dois álbuns de originais, com edição de autor, em 2014 e 2018, mas o ano presente trouxe outra boa notícia – a chegada aos finalistas do EDP Live Bands. “Era um dos objetivos para crescer rumo à consolidação”, explica o compositor alfacinha, que se move dentro da indie pop, e que vê nos Radiohead, Surfjan Stevens e Patrick Watson algumas das maiores referências.

Sobre a qualidade dos restantes finalistas do concurso, é perentório: “São projetos muito interessantes. Todos diferentes e ricos musicalmente”, explica, prometendo ser “uma boa companhia” para o público que irá à Lx Factory, a 24 de maio. “Chegar aqui já é fantástico, é uma oportunidade caída do céu”, mas “o prémio é aliciante e tudo o que um artista que está a crescer precisa”, ressalva o autor de Carne e Urso Solar.

Y.azz x b-mywingz

“Pedimos muito ao universo e tínhamos algumas expectativas, mas acho que nunca se está à espera. O talento é imenso e os lugares limitados. Foi uma surpresa incrível”, explica a dupla no rescaldo do anúncio dos finalistas, Mariana Prista (Y.azz) — a voz e letrista deste projeto nascido há 1 ano em Lisboa —, e Margarida Adão (b-mywingz) — composição e produção.

Margarida, engenheira de som e sonoplasta numa rádio, toca guitarra desde os 5 anos. O pai deu a conhecer-lhe o espetro musical, e a mãe, incentivadora incondicional, incutiu-lhe a disciplina. Mariana, que quer levar a música e o ensino a pessoas que sofram de doenças mentais e ansiedade, desde cedo experimentou piano e saxofone, além de ter sido incentivada musicalmente pelos pais. Classificam a sua música como “experimental e sentida” e não têm dúvidas: “O EDP Live Bands confirma que há imenso talento na cena musical em Portugal”.