Hospitais

Há hospitais que não deram qualquer tratamento para Hepatite C este ano, segundo a SOS Hepatites

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Emília Rodrigues diz que "os únicos hospitais que estão a dar tratamentos em 15 dias a um mês são o Santa Maria e o Egas Moniz" e que doentes em todo o país estão a esperar no mínimo quatro meses.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A SOS Hepatites denunciou esta terça-feira que há hospitais do país que ainda não deram este ano qualquer tratamento prescrito para doentes com hepatite C, lembrando que apenas Santa Maria e Egas Moniz distribuem tratamentos em tempo útil.

“Os únicos hospitais que estão a dar tratamentos em 15 dias a um mês são o Santa Maria e o Egas Moniz. Temos atrasos em todos os hospitais do país. Os doentes estão a esperar entre quatro meses a um ano”, disse à agência Lusa Emília Rodrigues, da SOS Hepatites.

A responsável deu o exemplo de Vila Real como um dos hospitais que este ano ainda não disponibilizou aos doentes qualquer medicamento prescrito.

De 2015 a 2017 – explicou -, os tratamentos para os doentes de Hepatite C eram pagos pela Administração Central do Sistema de Saúde. Em 2017, no final do ano, passaram a ser pagos pelas administrações hospitalares.

“Neste momento, temos tratamento, mas estamos entre quatro meses a um ano à espera que seja dado ao doente, porque as administrações não compram”, contou.

Emília Rodrigues diz que Portugal, que foi o primeiro país da Europa a dar medicação a todos os doentes “independentemente do genótipo ou fibrose”, está a “perder o comboio” e defende que, mesmo que se recuperasse o atraso na distribuição do tratamento, não se cumpriria a meta de erradicar a Hepatite C em 2030.

“A OMS [organização mundial de Saúde] definiu a meta de eliminação da Hepatite C até 2030, mas nós não vamos conseguir eliminá-la até 2050. Por outro lado, vamos eliminar os doentes, porque vão morrer de cancro”, afirmou.

Emília Rodrigues recordou que “cada doente infetado pode infetar, pelo menos, duas pessoas, com a partilha de giletes, por exemplo”.

“Se corrigíssemos o tiro a erradicação da doença avançava para 2035, mas nós também não sabemos quantos doentes temos infetados. Eu tenho doentes infetados da guerra da índia, que têm 90 anos”, explicou a responsável.

“O doente que não seja tratado vai dar muito mais despesa ao Estado pois tem rebentamento de varizes esofágicas, tem internamentos por fibroses e cirroses avançadas e, mais tarde, por cancro. Tenho doentes tratados e curados da Hepatite C, mas estão a morrer de cancro, depende sempre do estadio do fígado na altura do tratamento”, afirmou.

A SOS Hepatites vai juntar diversos especialistas no Congresso Nacional que decorre no dia 18, no auditório do Hospital Pulido Valente, em Lisboa.

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