Primeira Liga NOS

Há uma “Lua Azul” na noite do campeão nacional de futebol

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Na noite em que se vai descobrir o novo campeão nacional de futebol, o céu vai ser coroado por uma Lua Azul. E esta é um pouco diferente das últimas que se têm visto. Só que o tempo pode não ajudar.

Uma Lua Cheia como esta surgirá no céu este sábado, mas o tempo pode estar nublado

AFP/Getty Images

Um sinal vindo dos céus para o F.C. Porto ou a vitória do S.L. Benfica escrita nas estrelas? Provavelmente, e como estamos a falar de astronomia, nem uma coisa nem outra. Certo é que, na mesma noite em que os dois líderes do campeonato vão entrar em campo para desvendar o campeão nacional de futebol, a Lua vai presidir o céu com um rótulo diferente: será uma Lua Azul — um nome popular, sem fundamentação científica. E nem sequer é uma Lua Azul como outra qualquer.

Quando forem 22 horas e 11 minutos em Portugal Continental, duas coisas estarão a acontecer no nosso país. Em terra, a rotunda do Marquês de Pombal em Lisboa ou a Avenida dos Aliados no Porto estarão apinhados de fãs da bola. No céu, a Lua vai entrar na fase Cheia, ou seja, vai ficar precisamente 180º oposta ao Sol. Para a ciência não passará disso mesmo: uma Lua Cheia. Mas será chamada popularmente de “Lua Azul” porque é a terceira Lua Cheia numa mesma estação. Nos Estados Unidos ainda lhe dão outros três nomes, explica a Earth Sky: Lua da Flor, Lua de Leite ou Lua da Sementeira.

O mais provável é que tenha ouvido falar de “Lua Azul” como a segunda Lua Cheia no mesmo mês. É a “Lua Azul mensal”, um nome especial que advém do facto de, por norma, cada mês só assistir a uma Lua Cheia. Mas este é outro tipo de “Lua Azul”. Na verdade, a definição sazonal que a batiza é ainda mais antiga que a mensal a que estamos mais habituados. É que também se chama “Lua Azul” à terceira Lua Cheia de uma estação que tenha quatro delas.

Uma Lua Azul fotografada nos Estados Unidos em janeiro de 2018. Créditos: JOSH EDELSON/AFP/Getty Images

Em termos astronómicos, uma estação é o tempo que decorre entre um equinócio e um solstício. Na maior parte das vezes só existem três Luas Cheias numa mesma estação. Quando há quatro, no entanto, algo que acontece a cada dois a três anos, chama-se “Lua Azul” à terceira. Neste caso, entre o equinócio que abriu a primavera (19 de março) e o solstício que vai estrear o verão (21 de junho), também haverá quatro luas cheias. A primeira foi a 21 de março, a segunda a 19 de abril e a terceira será este sábado. A última antes do solstício acontecerá a 17 de junho.

Mas pode haver más notícias. Se quer aproveitar a festa do futebol para espreitar a Lua Cheia ou evitar a febre da bola com uma noite de observação celeste, então precisa de saber duas coisas. Em primeiro lugar, esta lua não será realmente azul. Na verdade, será uma Lua Cheia como outra qualquer. Em segundo lugar, a previsão meteorológica pode não estar do seu lado. O relatório mais recente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, assinado pelo meteorologista Bruno Café, avisa que se esperam períodos de céu muito nublado. Pode até haver chuva fraca no litoral norte e centro e no litoral oeste da região sul.

Nos próximos 19 anos haverá apenas mais sete Luas Azuis como esta. A próxima será a 22 de agosto de 2021. Depois são as de 19 de agosto de 2024, 20 de maio de 2027, 24 de agosto de 2029, 21 de agosto de 2032, 22 de maio de 2035 e 18 de maio de 2038.

Se há Luas Azuis, também há Vermelhas?

Este sábado espera-se uma Lua Azul, mas as Luas Vermelhas também existem. Por norma, chamam-se luas vermelhas às que protagonizam os eclipses lunares como aquele a que assistimos em janeiro. Quando há um eclipse lunar, a Lua não desaparece realmente. Em vez disso, quando fica coberta pela sombra terrestre e ganha uma coloração vermelha por causa de um fenómeno chamado Dispersão de Rayleigh. Os raios de comprimentos de onda maiores — como é o caso do vermelho — são menos desviados que os outros e, por isso, acabam por entrar na sombra da Terra. É por isso que a sombra do nosso planeta não é realmente escura.

Uma Lua Vermelha fotografada em janeiro em França. Créditos: AFP/Getty Images

Os eclipses lunares totais acontecem quando o Sol, a Terra e a Lua se alinham e o nosso satélite natural entra no cone de sombra terrestre. Era de esperar que a Lua desaparecesse atrás dessa sombra, uma vez que a Terra taparia a luz do Sol e a impediria de chegar à superfície lunar. No entanto, os raios solares que entram na nossa atmosfera e que iriam passar tangentes à Terra — porque não estão direcionados para chegar à superfície — sofrem uma mudança de direção. A atmosfera deflete ligeiramente a trajetória desses raios solares, fazendo com que os raios que deviam ir em frente acabem por entrar dentro do cone de sombra da Terra. 

Além disso, os raios de luz que entram na atmosfera são compostos por todas as cores, desde o violeta até ao vermelho. A atmosfera desvia de maneira diferente a direção desses raios e os mais azulados são aqueles que são dispersos em todas as direções. “Quanto mais vermelha é a luz, mais em frente ela vai porque menos dispersa é. E quanto mais azul for a luz, mais dispersa é e menos vai em frente. É por isso que a luz que entra no cone de sombra da Terra é essencialmente vermelha”, explicou ao Observador o astrónomo Rui Agostinho por ocasião do eclipse lunar de janeiro de 2019.

Então e Luas Verdes?

O F.C.Porto está associado à cor azul, o S.L. Benfica à cor vermelha. Então será que também existem luas verdes, em homenagem ao Sporting C.P.? Mais ou menos. Não há nenhum fenómeno astronómico que seja popularmente conhecido como “Lua Verde”, mas todos os anos desde 2016 que circula um embuste na Internet a dar conta que a 20 de abril a Lua ficará verde: “A 20 de abril vários planetas vão alinhar-se, o que fará com que a Lua fique verde durante 90 minutos. Este fenómeno é conhecido como ‘Lua Verde’ e só acontece uma vez a cada 420 anos”, pode ler-se no meme que circula nas redes sociais.

Ora, nada disto é verdade. O dia “20 de abril” costuma ser escrito como “4-20” no formato americano para indicar as datas. Essa referência, e a informação falsa de que o tal fenómeno acontece a cada “420” anos, dizem respeito ao nome de código para o consumo de marijuana — 420.

Segundo o Urban Dictionary, que fala sobre a origem da linguagem urbana, o nome “420” foi criado em 1971 por Steve Capper, Dave Reddix, Jeffrey Noel, Larry Schwartz, e Mark Gravich, cinco estudantes californianos do secundário que queriam descobrir a localização secreta de uma plantação ilegal de canábis.

O grupo, que se batizou de “Waldos”, combinou encontrar-se numa estátua de Louis Pasteur na escola que frequentavam, em San Rafael, às 16h20 (4:20 p.m. no formato horário americano) para seguir um suposto mapa que indicava a localização da plantação. Nunca a encontraram. Por isso, em homenagem ao plano que nunca chegou a bom porto, terão começado a usar o nome de código “420” para combinarem encontros secretos para fumarem erva.

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