José Sócrates entrou na campanha e veio para ficar. Depois de, no primeiro debate a seis transmitido na SIC, a 1 de maio, Nuno Melo ter usado uma imagem A4 de António Costa abraçado a José Sócrates para, literalmente, os pôr aos dois na mesma fotografia, o candidato do CDS voltou a repetir o número esta segunda-feira num jantar em Coimbra. Segurando na foto, insistiu no argumento de que é o PS o responsável pela austeridade em Portugal, acusando os socialistas de não terem aprendido com os erros do passado que puseram o país nas mãos da troika e de repetirem ex-governantes daquele tempo na lista do partido às europeias.

“De cada vez que o dr. António Costa tiver o cinismo de nos relacionar com a austeridade, nós mostraremos esta imagem”, começou por dizer enquanto erguia a dita fotografia. “Se dizem que nós somos austeridade então nós dizemos que a austeridade está aqui, tem dois nomes: José Sócrates e António Costa”, repetiu, por entre aplausos dos cerca de 150 militantes e simpatizantes que estavam no jantar.

O ponto é simples: não só António Costa “repetiu”, em 2015, muitos ministros e secretários de Estado que “nos tinham deixado na bancarrota”, em 2011, como também repetiu a dose na própria lista do PS ao Parlamento Europeu. “A lista ao Parlamento Europeu tem 5 ex-governantes desse governo de Sócrates, começando por Pedro Marques que era ministro da Segurança Social, e comparem-no com Pedro Mota Soares que quando foi ministro da Segurança Social, no tempo da troika, descongelou tudo o que o Pedro Marques congelou”, disse.

Tudo uma questão de “memória”, por um lado, e de “publicidade enganosa”, por outro. De memória porque, tendo memória, falar de Sócrates não é falar de passado, disse Nuno Melo. “Esses tempos penosos ainda hoje estão a ser pagos pelos portugueses. Por isso, não é passado. É presente, e é penoso”, afirmou, desencadeando nova salva de palmas. E de publicidade enganosa porque Nuno Melo espanta-se como é possível que “os mesmos governantes que trouxeram a troika três vezes” consigam dizer que a austeridade é o PSD/CDS. E espanta-se ainda mais “que isso seja dito e escrito e que haja quem acredite!”. Quando tudo o que os socialistas deviam estar a fazer era a dizer “obrigado” ao executivo do PSD/CDS por ter salvo as contas públicas depois da bancarrota.

O eurodeputado e candidato do CDS, que falava em Coimbra com Cecília Meireles ao lado, em representação da direção nacional do partido, deixava ainda um alerta no ar sobre a ideia de que António Costa possa estar mesmo a “sonhar” em deixar Portugal para “um destino algures na Europa”.

“Se nada for feito, infelizmente, o caminho poderá ser esse [o das dificuldades ou crise] e não tem a ver com o Diabo. Por alguma razão o dr. António Costa agora quer ir embora e sonha com um destino algures próximo de Bruxelas. Por alguma razão será”, afirmou, numa referência às notícias que dão o líder socialista português como potencial candidato a um cargo europeu, objetivo que o próprio negou.

Cecília Meireles, que levou um discurso preparado sobre as “marcas da geringonça”, também não esqueceu Sócrates. Nem o familygate, que mostrou como os socialistas, fazendo-se passar por “uma certa elite partidária”, querem ser os novos “donos disto tudo”.

Depois de enumerar as várias “marcas da geringonça”, a deputada chegaria à banca: “Costa diz que resolve todos os problemas da banca, mas é porque põe lá o dinheiro dos impostos de todos os portugueses. E se formos olhar para a origem dos problemas da banca que nome é que encontramos? Lá está, a herança do ex-primeiro-ministro José Sócrates”. E até Joe Berardo serviu para abrilhantar o quadro: o protocolo no CCB foi feito no tempo de… José Sócrates, e foi renovado no tempo de? António Costa.