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Caixa Geral de Depósitos

Centeno: Caixa deve usar “todos os mecanismos legais” para recuperar dívida de Berardo

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Em entrevista à Renascença, o ministro das Finanças fala ainda sobre as buscas na Autoridade Tributária, a crise dos professores, a "urgência" na negociação do SIRESP e os impostos.

O que ouve Centeno quando está muito irritado? "Ouço-me a mim próprio para tentar que ninguém tenha de aturar as minhas irritações"

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

A Caixa Geral de Depósitos deve usar todos os meios legais ao seu dispor contra Joe Berardo, para recuperar a avultada dívida do comendador ao banco público, espera Mário Centeno.

“Como ministro das Finanças, quero que a Caixa Geral de Depósitos cumpra o mandato que eu lhe dei, que foi bastante claro sobre a gestão da CGD e a valorização do património”, começou por dizer Centeno, em entrevista à Rádio Renascença.

Todos queremos, acho, para além de mim que sou ministro das Finanças, que a perda que está infligida em termos contabilísticos e financeiros, aos bancos, em particular à CGD possa ser recuperada. Espero que sejam ativados todos os mecanismos legais que o permitam”.

Centeno acompanha António Costa na avaliação que fez sobre a postura de Joe Berardo na comissão de inquérito à Caixa, na audição da semana passada: “As empresas e os indivíduos não existem fora do quadro de importância que têm para a sociedade portuguesa. Há um momento em que todos temos que crescer para essa responsabilidade”. No último debate quinzenal, o chefe de Governo lamentou o “desplante” do empresário e disse que “o país está chocado”.

Berardo deve quase mil milhões de euros à CGD, Novo Banco e BCP. Só ao banco do Estado são cerca de 280 milhões de euros.

“Não sei se as buscas vão levar à identificação de algum crime”

Na mesma entrevista, o primeiro-ministro foi questionado sobre as buscas que decorreram na terça-feira, na Autoridade Tributária.

Não sei se as buscas vão levar à identificação de algum crime. O que para mim é importante, enquanto ministro das Finanças, é o facto de estarmos atentos com uma administração atenta. Houve uma denuncia, comunicou-se ao Ministério Público. A ação está a correr. Não sei mais do que isso”.

De qualquer modo, este caso é “muito positivo até para podermos sair de uma ladainha de autocomiseração sobre a administração pública”, diz o ministro das Finanças, assinalando que o combate à corrupção é “uma matéria primordial” e que a AT está a fazer o que se espera dela.

“Urgência” em terminar negociação do SIRESP

Outro tema quente nos últimos dias tem sido a dívida do Estado ao SIRESP, com a Altice a deixar a ameaça de desligar o satélite de comunicações que é crucial no combate aos incêndios, se o pagamento não for feito.

Centeno diz que as negociações estão a decorrer e que o Governo não quer pôr em causa o funcionamento do sistema na época de fogos deste ano.

Temos a maior urgência em terminar esta negociação, porque percebemos os interesses da parte privada e da parte pública. O que está em cima da mesa é uma aquisição de uma participação acionista. Não há aqui nenhuma vontade, nem desejo, de retirar valor económico a quem investiu e a quem detém a empresa”.

Nacionalizar o SIRESP? “Estamos numa negociação e a negociação é para a aquisição das participações acionistas, esse é o meu objetivo.”, disse apenas, deixando o aviso de que o que importa é a segurança e que “até por motivos reputacionais”, todos os acionistas estão “seguramente alinhados”.

“Ouço-me a mim próprio para tentar que ninguém tenha de aturar as minhas irritações”

Depois da crise política associada à questão da recuperação integral do tempo de serviço dos professores, que acabou por ser chumbada, o ministro das Finanças não desmente a ameaça de demissão, e não tem dúvidas que os portugueses “percebem” que a dimensão “financeira das organizações é absolutamente crucial”.

Daí ser natural que os sindicatos que representam os docentes tenham negociado com o ministro da Educação e das Finanças que, “desse ponto de vista são só um”. “Nenhum pode prometer o que não tem”, resume.

Em matéria de impostos, se António Costa já disse que baixá-los não é uma prioridade na próxima legislatura, se ganhar as eleições, Mário Centeno acredita que haverá margem para continuar a reduzir “legislativamente” os impostos. Lembra que o Programa de Estabilidade prevê uma diminuição dos impostos diretos e aponta para uma revisão dos benefícios fiscais.

Numa série de perguntas para respostas rápidas, a Renascença perguntou ao ministro o o que ouve quando está muito irritado, dando o exemplo da ministra da Saúde, Marta Temido, que quando está nesse estado diz que ouve o hino da CGTP. Centeno respondeu assim: “Ouço-me a mim próprio para tentar que ninguém tenha de aturar as minhas irritações”.

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