Não é novidade que a pegada ambiental gerada pela indústria da moda é gigantesca, o equivalente a dizer zero trendy. Em jeito de antecipação da Copenhagen Fashion Summit, que decorre na capital dinamarquesa, a Monocle voltou a por o dedo na ferida recordando os números que obrigam a repensar e discutir com urgência máxima a questão da sustentabilidade do setor. “Por volta de 2030, 102 milhões de toneladas de roupa serão produzidos por ano e estima-se que 81% dessas roupas acabarão no lixo”, descreve a publicação.

Um dos principais desafios das marcas encontra-se a montante de todo o processo, ao nível dos fornecedores — na prática existe uma falha de informação que compromete o sistema, e é aqui que o gigante tecnológico Google entrará em ação.

Da cimeira sai a notícia de que a empresa está a desenvolver um sistema piloto que permitirá dar às marcas uma visão global mais eficiente das suas cadeias de produção, sobretudo quando falamos das matérias-primas no seu estado mais bruto. É nesta fase que se assinalam os valores mais alarmantes, com o setor a ser responsável por 20% do desperdício de água  e 10% das emissões de carbono no mundo.

Uma criação Stella McCartney saída do desfile outono-inverno 2019/2020, em março deste ano © Philippe Lopez / AFP/ Getty Images.

O projeto será desenvolvido em parceria com a marca eco Stella McCartney, conhecido que é o foco da designer britânica na pasta da sustentabilidade no que toca ao mercado de luxo. De acordo com a Harper’s Bazaar, “a ferramenta da Google usará um algoritmo de análise de dados para compilar a informação” de forma a obter valores concretos que orientem o resto da indústria. O modelo piloto começará a analisar matérias como o algodão e a viscose, eleitos dada a sua escala de produção e o nível de impacto.

No final, o objetivo é que com a informação do seu lado as marcas possam decidir de forma mais consciente e eleger as práticas mais sustentáveis.

Mas que rico desperdício. Estas marcas fazem moda com lixo

O evento de 2019 conta com a participação de alguns oradores-chave, casos do empresário francês François-Henri Pinault, o CEO da Kering e presidente do grupo de luxo Artémis, e de John Hoke, responsável pelo design da popular Nike, e dificilmente poderá deixar de fora da agenda a questão da economia circular e como aumentar a respetiva escala quando falamos do universo da moda.