No jantar-comício do PS, em Almeirim esta quarta-feira, juntaram-se dois ministros e o primeiro-ministro para apoiar o cabeça de lista do partido às Europeias. Para o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes foi mesmo uma estreia em comícios. Já Vieira da Silva ficou pela presença e guardou a voz para a noite seguinte. António Costa é que não se poupou na referência aos dados do Instituto Nacional de Estatística conhecidos de manhã sobre a economia portuguesa, que cresceu 1,8%  no primeiro trimestre do ano. O líder socialista diz que isso acontece porque “as empresas confiam no futuro do país e da economia”.

Houve apelo ao voto no dia 26 dos governantes — e também do candidato — que discursaram no púlpito, e pedidos por “mais força para o PS” nesta Europeias, mas houve sobretudo muitos auto-elogios à governação. Afinal, nestas Europeias Costa não joga só lugares no Parlamento Europeu, mas também uma vaga de força que valide a ação do Governo nestes três anos e meio. Os dados do INE foram ouro sobre este azul, com Costa a começar por valorizar o caminho das “contas certas” e a acabar a dizer que “há outras dimensões tão ou mais importantes”, atirando para os valores revelados esta quarta-feira.

Portugal acelera 1,8% no primeiro trimestre, acima da média europeia

“É verdade que a economia europeia e mundial estão em desaceleração, mas o que o INE veio dizer é que Portugal não só não está em desaceleração como no primeiro trimestre deste ano a nossa economia acelerou”, sublinhou o socialista que também é primeiro-ministro e acrescentou: “A nossa economia está a crescer mais e a acelerar, a crescer acima da média europeia e puxada pelo investimento das empresas. E isso é possível porque as empresas confiam no futuro do nosso país da nossa economia“.

“Antes de nós tudo era tão mau que ser ministro do Ambiente é fácil”, disse Matos Fernandes

Quanto às Europeias, Costa pede “força” para o PS no Parlamento Europeu porque ainda há que “concluir a negociação dos fundos comunitários para garantir que não há cortes na PAC nem na política de coesão”. Temas caros à audiência ribatejana que o ouvia. Esta “força” que pede “é três em um”, ou seja, pede-a para “continuar as boas políticas em Portugal”, porque “não há nenhum partido que mais defenda o projeto europeu do que o PS”, mas também porque “na Europa, ninguém mais do que o PS se debate mais na Europa pelos interesses de Portugal”.

Matos Fernandes, independente, foi a Almeirim apoiar o candidato socialista e estreou-se num comício ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Também falou na questão das alterações climáticas, mas porque o seu ministro do Ambiente — que é independente — tinha focado esse ponto como uma das grande “causas europeias”, colocando Portugal como “um exemplo” por se comprometer com o desafio de carbono zero em 2050. Matos Fernandes fez a estreia em comícios com um ataque à sua antecessora, Assunção Cristas.

Ser ministro do Ambiente é fácil, antes de nós havia o vazio”, disse Matos Fernandes

Sobre Cristas, o ministro disse que “foi ministra do Ambiente e não há ninguém que se lembre do que ela tenha feito” e concluiu: “Antes de nós tudo era tão mau que ser ministro do Ambiente é fácil”. E ainda acrescentou que “vai ser ainda mais fácil” depois da “vitória” do PS nas Europeias.

No período de campanha oficial, este foi o segundo comício em que o líder socialista marcou presença ao lado do candidato que escolheu às Europeias ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Já para o candidato, ficou o agradecimento pelo apoio prestado, dirigindo-se diretamente ao secretário-geral do partido: “Trouxeste contigo alguns dos melhores do nosso Governo, embora não estejam cá nessa qualidade“. Depois elogiou Matos Fernandes por ter falado do desafio das alterações climáticas: “Cá está outra vez o PS a falar de coisas que importam e não das campanhas sujas e de coisas que não interessam nada”. Quanto a Viera da Silva, que o levou para o Governo em 2005 como seu secretário de Estado na Segurança Social, Pedro Marques chamou-lhe “referência” na sua “vida política”.

Mas não deixou de referir os adversários do PSD onde vê uma campanha que “não está correr bem” e voltou a falar na “ideia peregrina de sobrevoar a dor das pessoas”, referindo-se ao voo de Rangel sobre a área ardida em 2017: “É mau de mais para ser verdade”.

Voltou a acusar a direita de “fazer ruído durante semanas” para não explicar porque votou contra o passe único nos transportes públicos, que considera a “medida mais estruturante da alteração no uso do transporte público”. Diz mesmo que “esta medida vai fazer caminho na Europa”.

No final, o cabeça de lista do PS às Europeias falou no “sonho” de ter um “país de sonho, de futuro. Uma Europa de sonho, de futuro”. E para isso pediu “energia para mais dias de campanha”.