Eleições Europeias

“Onde está o PS de esquerda?”. Catarina Martins e Fernando Rosas foram os protagonistas da noite do BE

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Catarina Martins e Fernando Rosas chegaram à campanha com intervenções mais vistosas que a de Marisa Matias, que voltou a não ser protagonista. Houve críticas e desafios ao PS.

PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

Marisa Matias voltou a contar com reforços de peso. Catarina Martins e Fernando Rosas foram a Leiria falar aos militantes num jantar-comício onde a líder do partido fez um desafio ao Parlamento, em particular ao PS, e o fundador do Bloco de Esquerda lembrou todos os recuos dos socialistas ao longo da legislatura para perguntar: “Onde está o PS de esquerda?

O histórico bloquista começou por dar uma pequena aula de história para traçar a linha que separa os partidos de esquerda da direita e do PS. “A travagem da revolução permitiu a recuperação e recomposição do capital financeiro, através de privatizações e alterações à legislação laboral”. Os culpados? “Foram PSD, CDS e também o PS”. Uma diferença que dividiu o país político mas que conheceu “o primeiro parênteses com a atual solução governativa”.

Mas se algum sucesso houve nesta legislatura, Fernando Rosas não tem dúvidas sobre que partido pode reclamar o mérito. “Foi por iniciativa do Bloco de Esquerda que se começou a responder aos problemas do país“. Para sustentar a afirmação, recuperou quatro “cambalhotas” do PS na atual legislatura: “A taxa sobre especulação imobiliária”, “a taxa sobre as rendas das energéticas”; “a extinção das PPP na Saúde”; “o apoio à contagem integral do tempo de serviço dos professores”.

Para o historiador tornou-se evidente que foi o PS que impediu reformas mais estruturais nesta legislatura. “O PS não está disposto a enfrentar nenhuma política de fundo nem de princípio”, disparou. “Afinal, onde está o PS de esquerda? Onde anda a esquerda do PS?”.

No fim da intervenção apelou ao voto e estabeleceu a meta que a caravana tem evitado verbalizar: “Vamos pôr a Marisa Marias e o José Gusmão no Parlamento Europeu”.

Catarina Martins faz desafio ao PS. Marisa Matias usa Durão para atacar populismos

Sem precisar de preâmbulos, a líder do Bloco de Esquerda foi direta ao tema central do seu discurso: “Queria falar-vos do passo que o Parlamento deu hoje para tentar responder a um dos maiores mistérios europeus, que é o de Portugal ter um dos salários mais baixos da Europa e uma das mais altas faturas de eletricidade”, anunciou.

Catarina Martins falava do relatório, elaborado pelo deputado bloquista Jorge Costa e aprovado esta quarta-feira, sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Pagamento de Rendas Excessivas aos Produtores de Eletricidade. “Hoje o país todo sabe que pagamos centenas de milhões de euros que não devíamos pagar às energéticas. Tudo pelo privilégio e pela promiscuidade“.

A aprovação do relatório é um passo positivo mas a líder do Bloco de Esquerda quer ir mais longe. “É preciso mais”, pediu. “É preciso que se faça justiça e que deixemos de pagar com o esforço do nosso trabalho os salários milionários dos acionistas da EDP. Este é o momento de virar o jogo”, proclamou, desafiando o Parlamento, e em particular o PS — já que à esquerda a questão será pacífica –, a “transformar o relatório em lei”.

Já Marisa Matias retomou o tema que marcou o dia de campanha, e voltou a falar da necessidade de combater “as sombras do fascismo que pairam sobre a Europa”. Passou depois pelos populismos, e aproveitou o tema para atacar Durão Barroso. “O Durão Barroso andou dez anos a prometer que regularia o sistema financeiro. Agora, vemo-lo a dar aulas de combater populismos. Não aceitamos lições de Durão Barroso”. Algo que não aceita porque entende que “é por políticas como as que Durão Barroso defendeu na Comissão Europeia que se criam populismos”, resumiu.

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