Depois do prometedor início de temporada em piso rápido, com a chegada à terceira ronda do Open da Austrália em singulares (ganhou a Guido Pella e Philipp Kohlschreiber antes de cair com o japonês Kei Nishikori) e a uma histórica participação até às meias-finais no quadro de pares (ao lado de Leonardo Mayer, perdendo com Henri Kontinen e John Peers no acesso ao jogo decisivo), João Sousa não teve a melhor entrada na terra batida – o que lhe valeu uma queda significativa no ranking, muito por culpa dos pontos perdidos no Estoril Open ao não conseguir repetir o brilharete do triunfo em 2018.

Após as passagens sem sucesso por Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, o português ganhou duas eliminatórias no piso rápido de Indian Wells e fixou-se na terra batida a partir de Monte Carlo, conseguindo apenas uma vitória entre Mónaco, Barcelona, Estoril (antes de perder com David Goffin eliminou Alexei Popyrin) e Madrid. No entanto, a estreia em Roma, com o americano Frances Tiafoe, mostrou um outro João Sousa: na reedição da final do Estoril Open de 2018, o vimaranense conseguiu salvar quatro match points para vencer por 6-3, 6-7 (3) e 7-6 (4) em mais de três horas de jogo. Seguia-se Federer, com quem tinha jogado apenas uma vez em Halle, há cinco anos (derrota em três sets por 7-6, 4-6 e 2-6).

O encontro estava marcado para esta terça-feira mas os jogadores acabaram por estar cerca de dez horas no clube para nada, face à chuva que não deu tréguas ao longo de todo o dia. Cerca de 24 horas depois, o encontro teve mesmo início (com Rafa Nadal a jogar com Jeremy Chardy à mesma hora) e Sousa poderia partir para a obtenção de uma das grandes metas na carreira: ganhar por uma vez ao suíço, jogador com mais Grand Slams e considerado por muitos como o melhor tenista de sempre. “Como todos sabem, foi um ídolo de criança. Já jogámos uma vez. No final fazemos as contas mas é um privilégio poder defrontá-lo. Vai ser mais um encontro muito difícil mas vou dar o meu melhor e tentar jogar a um grande nível como na primeira ronda”, disse. Antes, em Barcelona, Sousa tinha confessado que, “não sendo um objetivo, gostava de derrotar Federer antes de se retirar”. “É um jogador que é uma referência a nível mundial, considerado um dos melhores da história”, acrescentou.

Não conseguiu e o primeiro set explica da melhor forma o porquê: depois do início “certinho” com uma grande percentagem de eficácia no primeiro serviço, Sousa ganhou os seus dois primeiros jogos, teve duas possibilidades falhadas de fazer o break e acabou por cair na fase decisiva, com Federer a melhorar e muito a sua exibição para quebrar o serviço do português e fazer o 4-3. Mais uma vez, o português voltou depois a ter três breaks não concretizados perante um reportório de jogo fabuloso do suíço e o set fechou em 6-4 com a ideia de um Sousa a jogar bem não chegava – para ganhar, teria mesmo de roçar a perfeição.

No segundo set, Federer, a cometer muito menos erros do que no arranque e com algumas bolas fabulosas a merecer aplausos de pé do público italiano, conseguiu fazer logo um break a abrir, consolidou essa quebra de serviço no seu jogo, evitou dois breaks com primeiros serviços sem hipóteses e acabou por fechar com 6-3 no jogo de Sousa, defrontando agora na terceira ronda o croata Borna Coric, 13.º cabeça de série do torneio que venceu Cameron Norrie. Se é verdade que João Sousa tem um registo positivo frente aos novos nomes do ténis mundial, casos de Zverev, Tsitsipas, Shapovalov ou Tiafoe, o português continua à procura do primeiro triunfo de sempre contra os três líderes do ranking mundial em dez encontros realizados até ao momento: Novak Djokovic (0-6), Rafael Nadal (0-2) e Roger Federer (0-2).