O Presidente dos EUA, Donald Trump, vai apresentar esta quinta-feira um novo plano para a imigração, que reforça a segurança nas fronteiras e reformula profundamente o modelo de autorização de residência no país, segundo a Casa Branca.

O grupo de trabalho para a imigração, liderado por Jared Kushner, assessor e genro de Donald Trump, preparou um novo plano centrado no reforço de segurança nas fronteiras e na reformulação do sistema de carta verde, o cartão de residente permanente legal nos EUA.

O plano de Kushner vai ser apresentado pelo próprio Presidente, mas ainda não tem a aprovação do Partido Republicano e muito menos parece gozar da simpatia do Partido Democrata, antevendo-se grandes dificuldades na sua aprovação em Congresso.

Acesso à carta verde

Na proposta que a Casa Branca apresentará ao Congresso e ao público, está a ideia de facilitar o acesso à carta verde a pessoas com mais habilitações académicas ou mais competências profissionais, em vez do critério de relações familiares com alguém que já esteja nos Estados Unidos (como acontece atualmente).

A mudança para um sistema baseado no mérito marcará um profundo afastamento da abordagem baseada nas relações familiares que, segundo as autoridades norte-americanas, tem servido de base a 66% das cartas verdes.

Atualmente, apenas 12% das cartas verdes são atribuídas com base nas qualificações académicas e profissionais.

Imigrantes ilegais e o “sonho americano”

Para além disso, o plano não aborda o que fazer com os milhões de imigrantes que já vivem no país ilegalmente, incluindo centenas de milhares de jovens “sonhadores” trazidos para os EUA como crianças – uma prioridade para os democratas.

O plano também não reduz as taxas gerais de imigração, como muitos Republicanos dos setores mais conservadores gostariam de ver aprovado.

Ainda não se conhecem vários pormenores do documento. Foi revelado, porém, que haverá medidas para ajudar a reforçar mecanismos de segurança nas fronteiras e que a diversidade étnica será abordada de forma diferente à que atualmente se aplica na atribuição de cartas verdes.

O plano deverá ainda incluir a construção de muros em algumas partes da fronteira com o México, medida que tem tido a contestação e rejeição firme por parte do Partido Democrata.

A líder da Câmara dos Representantes, a Democrata Nancy Pelosi, tem repetido várias vezes que a construção do muro nunca será aprovada com os votos dos Democratas.

Também o líder da minoria Democrata no Senado, Chuck Schumer, criticou a Casa Branca por nunca ter envolvido o seu partido nas negociações sobre o novo plano para a imigração.

“Trump não pode pensar que aparece agora com um plano que vamos aprovar, sem nada dele conhecermos”, afirmou Schumer.

Uma discussão com mais de 30 anos

A reforma da atual lei de imigração tem sido discutida no Congresso nas últimas três décadas e meia, sem sucesso, pela dificuldade de compatibilizar as posições do Partido Republicano e do Partido Democrata.

A um ano de eleições e perante as divergências entre os dois partidos sobre as posições de Donald Trump sobre a imigração, dificilmente este novo plano será adotado, antevendo-se mais um fracasso negocial no Congresso.

Será o próprio Presidente a apresentar hoje o novo plano, a partir dos jardins da Casa Branca, procurando jogar todo o seu peso político neste projeto, que até agora recebeu críticas até de setores influentes do Partido Republicano.