Os militantes do PSD compensaram a ausência ao final de tarde na arruada e encheram a Aula Magna do Politécnico de Viseu. Sala cheia para ouvir Rangel a atacar aqueles que têm apoiado Pedro Marques. O cabeça de lista do PSD disse que Frans Timmermans não é um “defensor de Portugal” como o PS o apresenta, mas “o companheiro de partido de Dijsselbloem”. Rangel diz que estes “amigos de Pedro Marques” querem “cortar nos fundos aos portugueses” porque acham que eles “só servem para pagar copos e mulheres”.

Rangel lembrou que Timmermans, o candidato dos socialistas europeus à Comissão Europeia, era ministro dos Negócios Estrangeiros no mesmo governo em que Jeroen Dijsselbloem era ministro das Finanças. O cabeça de lista do PSD diz que, se não há reformas na zona euro, a culpa é dos socialistas: o comissário com a pasta do euro é socialista (Pierre Moscovici) e o presidente do Eurogrupo é socialista (Mário Centeno), tal como o antecessor (Dijsselbloem).

Além disso, Rangel acusou o PS de ser brando com os partidos da sua família política: “Alguém viu o PS português, Costa, Mário Centeno ou Pedro Marques a defender que Jeroen Dijsselbloem devia sair do Eurogrupo quando disse que os portugueses só queriam copos e mulheres? Não, porque os socialistas são muito brandos com a sua família”. Por isso, afirma Rangel, “não vale apena o PS vir com trunfos, jokers e manilhas, porque a história destas pessoas fala por elas“.

Rangel diz que no Partido Popular Europeu (PPE) não funciona assim, pois apesar de ter “muito orgulho” em pertencer a esta família, critica-a quando tem de criticar. E exemplifica: “Ao contrário do PS que copia o manifesto dos socialistas europeus, nós temos três ou quatro pontos em que discordamos do PPE. Quando não concordamos, colocamos o interesse nacional à frente do interesse partidário.”

O cabeça de lista do PSD mostrou-se ainda surpreendido por António Costa andar a pedir “seriedade” e estar “preocupado com a falta de ética”. Isto porque é algo que vem de um primeiro-ministro que “acha normal que o governo esteja ferido pelas conexões familiares”. E questiona: “Chegaram-se a contar 40 ligações familiares no mesmo governo. E vem-nos falar de probidade? Onde está a imparcialidade? Onde está a ética republicana? É preciso lembrar isto. Prega a ética para umas coisas e depois faz outras.”

Rangel enumerou depois exemplos de serviços públicos que falharam nos últimos dias como prova da incompetência do Governo Costa: os 57 comboios suprimidos na linha de Sintra nos últimos dois dias, que o número de cirurgias em que o tempo máximo de espera mais do que duplicou. Ou ainda a intenção anunciada pela Fertagus, que assegura o comboio entre Lisboa e Setúbal, de retirar bancos das carruagens para poder ter mais 20% de passageiros. “Hão de viajar sem bancos e todos de pé que é para caberem mais?”, questionou num tom crítico do “caos” em que o PS deixa os transportes.

O candidato diz que “o PSD não se conforma” e que “o Governo pode fazer as alianças políticas que quiser, pode escolher as políticas que quiser, mas há uma coisa que é certa: vai ter de pagar o preço de ter deixado os portugueses em alguns dos seus direitos essenciais numa situação que é indigna”.