O novo número da Granta em Língua Portuguesa, o primeiro com a nova direção e o terceiro desde que a revista literária passou a dizer respeito ao Brasil e Portugal, vai sair a 24 de maio, um dia depois da apresentação no Museu da Farmácia, em Lisboa. O tema é “Futuro”, e inclui 16 textos, de autores como Rogério Casanova, Margarida Vale de Gato, Rick Moody e Philip K. Dick, autor do livro que inspirou o filme “Blade Runner”.

Na apresentação, Pedro Mexia, diretor da revista em Portugal, explicou que os “vários textos desta edição da Granta tentam pensar o futuro como teoria, ou revistam as teorias do futuro. E notamos uma disposição cética, quando não distópica”, numa altura em que “o futuro já não é o que era”. “Passámos, no espaço de um século, do entusiasmo tecnológico e científico (a ‘antecipação’ das novelas de Júlio Verne) ao ‘no future‘ que a geração punk anunciou. E agora até esse anúncio nos parece temerário. A velocidade do futuro deixou para trás as frases sobre o futuro”, escreveu Mexia.

Gustavo Pacheco, diretor da Granta no Brasil, apresentou os textos de escritores brasileiros presentes neste número, como Ricardo Domeneck ou Julia Wähmann. “Como seria de se esperar no momento histórico em que vivemos, todos os textos brasileiros desta edição carregam em si certa aura de incómodo e desencanto”, escreveu Pacheco, a quem coube também falar de alguns dos autores estrangeiros, com destaque para Philip K. Dick, autor do célebre romance Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, que deu origem ao filme “Blade Runner”.

“É difícil encontrar algum escritor que, meio século atrás, tenha antecipado o futuro de forma tão precisa e preceptiva quanto ele. Hoje, quando aquele futuro já se tornou presente, percebemos com assombro que as realidades delirantes e paranoicas criadas por Dick estão muito mais próximas de nós do que gostaríamos de admitir”, afirmou o diretor da Granta, explicando que a revista inclui “trechos de sua criação mais longa, menos conhecida e talvez mais radical: a Exegese, um diário de oito mil páginas”.

Escrito nos últimos oito anos da vida do autor, em Exegese, Dick “tentou encontrar respostas para as suas experiências místicas e, quem sabe, para todas as grandes questões da existência. Não é para os fracos”, garantiu Pacheco. Foi por isso que os responsáveis pela revista literária decidiram pedir a Antônio Xerxenesky, “escritor que conhece e ama a obra de Dick como poucos”, que escrevesse um texto introdutório para este número. Este antecede os trechos do diário do escritor norte-americano. Chama-se Diário da domesticação do divino.

“Philip K. Dick morreu em 1982 e, nas últimas décadas, tornou-se um dos autores mais influentes não só na literatura, mas também no cinema. Seus romances e contos foram levados à tela várias vezes, mas muitos consideram que o filme que melhor captou a sua visão perturbadora do futuro não é uma adaptação direta de sua obra”, escreveu Gustavo Pacheco. “É uma longa-metragem de 1985, dirigido por Terry Gilliam, que apresenta um país fictício, bizarro e totalitário. O nome do filme é ‘Brazil’.”

Além dos textos literários, o novo número da Granta em Língua Portuguesa inclui ensaios fotográficos de Miguel Soares e Claudia Jaguaribe. A direção de imagem é, novamente, de Daniel Blaufuks. A revista vai ser apresentada a 23 de maio, às 18h30 no Museu da Farmácia, em Lisboa. Durante a sessão, haverá um debate sobre o futuro das revistas literárias, da língua portuguesa, da literatura e da cultura no espaço mediático contemporâneo, que contará com a participação de Pedro Mexia, Madalena Alfaia (assistente editorial da Tinta-da-China), Daniel Blaufuks, Dulce Maria Cardoso, Valério Romão e Ana Daniela Soares Ferreira.