Síria

Amnistia interpela ONU sobre ataques do regime contra hospitais na Síria

180.000 pessoas ficaram deslocadas apenas nas últimas duas semanas, devido aos conflitos entre rebeldes e Governo. Vários hospitais e postos humanitários estão a ser atingidos pela guerra.

16 organizações humanitárias já suspenderam as suas operações na noroeste da Síria devido à violência dos conflitos

MOHAMMED BADRA/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O regime sírio, apoiado pela Rússia, conduz um “assalto deliberado e sistemático” contra hospitais e estruturas médicas do noroeste da Síria, denunciou esta sexta-feira a Amnistia Internacional, que exortou a ONU a pôr termo a estes “crimes contra a humanidade”.

O Conselho de Segurança da ONU reúne-se esta sexta-feira para abordar a degradação da situação na província de Idleb, no noroeste sírio, onde o poder de Bashar al-Assad e a aviação russa efetuaram intensos bombardeamentos nas últimas semanas.

Os ataques concentraram-se em particular no sul de Idleb e no norte da região vizinha de Hama, territórios controlados pelo Hayat Tahrir al-Cham (HTS, o ex-ramo sírio da Al-Qaida), e outros grupos jihadistas.

“O Conselho de Segurança deve examinar os crimes contra a humanidade em Idleb”, assinala a Amnistia Internacional (AI) em comunicado, denunciando “um assalto deliberado e sistemático contra os hospitais e as instalações médicas” e apelando a “exercer pressão sobre a Rússia”.

Segundo a ONU, cerca de 18 estabelecimentos médicos ficaram inoperacionais desde abril. “Bombardear os hospitais é um crime de guerra”, regista a Amnistia Internacional. “Integra-se numa prática bem estabelecida dirigida a instalações médicas para atacar sistematicamente a população civil”, sublinha Lynn Maalouf, diretora de pesquisa sobre o Médio Oriente da Amnistia. “Exortamos os membros do Conselho de Segurança que se reúne hoje a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para terminar com o assalto contra os civis em Idleb, e pedir contas aos responsáveis destes terríveis crimes”, frisa o comunicado.

Os ataques contra os hospitais decorreram à revelia de um mecanismo especial estabelecido pela ONU para tentar proteger os centros médicos, fornecendo aos beligerantes os dados de localização desses edifícios. “O pessoal de quatro hospitais em Idleb e em Hama indicaram à Amnistia Internacional que foram tomados por alvos quando os dados de localização foram partilhados com os governos sírio e russo”, denuncia o comunicado.

A AI recolheu o testemunho de diversos profissionais de saúde, incluindo uma enfermeira de um hospital em Kafranbel. “Transferimos os feridos para o subsolo. Registou-se um segundo raide que cortou a eletricidade, quando tentávamos estancar as hemorragias”, referiu a enfermeira, citada no comunicado. “De seguida, um terceiro e quatro raides”, prosseguiu.

O conflito na Síria, iniciado em 2011, já provocou mais de 370.000 mortos, milhões de refugiados e deslocados, e fragmentou o país.

ONG dizem que conflitos atingiram “ponto crítico”

Dezenas de grupos humanitários internacionais disseram esta sexta-feira que as condições do noroeste da Síria atingiram um “ponto crítico” e pediram o fim imediato dos combates.

Num apelo divulgado esta sexta-feira, os grupos indicaram que a violência causou cerca de 180.000 deslocados nas duas últimas semanas. Os confrontos entre os rebeldes e as forças governamentais, que eclodiram a 30 de abril, destruíram um cessar-fogo aplicado desde em setembro.

A violência forçou pelo menos 16 organizações humanitárias a suspenderem as suas operações na região, onde vivem três milhões de pessoas, adiantaram.

A organização não-governamental Médicos pelos Direitos Humanos disse que no último mês as forças do governo sírio e os seus aliados russos realizaram nove ataques a hospitais e outras instalações de saúde. Segundo os grupos, pelo menos quatro postos humanitários claramente identificados foram atingidos.

As tropas sírias e os seus aliados têm vindo a avançar no noroeste da província de Hama e no sul da de Idlib para tentar ocupar territórios ainda controlados pelos grupos insurgentes.

A escalada atual na região é a mais grave desde que Moscovo, aliado do regime, e Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes, anunciaram em setembro de 2018 um acordo sobre uma “zona desmilitarizada”, que devia separar os territórios controlados pelos insurgentes das zonas governamentais e evitar uma ofensiva governamental na província de Idlib, o último grande bastião jihadista no país.

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