Ao sexto dia de campanha oficial — e após protagonizar comícios pelo Alentejo e pelo Algarve —, o candidato da CDU às eleições europeias, João Ferreira, voltou a ter a seu lado o secretário-geral do PCP. Jerónimo de Sousa juntou-se à arruada da CDU desta sexta-feira em Almada para cumprir apenas os últimos metros do desfile e discursar no comício que encerrou o dia.

Antes, falou João Ferreira, que, depois de ter garantido que “as campanhas eleitorais não são todas iguais” e que a da CDU, ao contrário das outras, não se foca nos ataques entre candidatos e prefere discutir as propostas concretas e as questões europeias, dedicou praticamente todo o seu discurso ao ataque a PS, PSD e CDS — e às questões nacionais.

“Olhamos para o país real, para os verdadeiros problemas que atingem os trabalhadores e o povo, longe da espuma do dia e das guerras do Alecrim e da Manjerona e que animam os dias daqueles que pouco mais têm a dizer”, atirou João Ferreira, referindo-se às críticas que já tem vindo a fazer nos últimos dias sobre as campanhas que se focam em “questões acessórias”.

Mas, logo depois, continuou, dirigindo-se às centenas de apoiantes que enchiam o largo em frente à câmara municipal de Almada: “Sabem de que lado estivemos nos duros anos dos PEC e do pacto de agressão dos governos de PSD e CDS e, depois, PS. Sabem que quando se abriu a possibilidade de afastar PSD e CDS do Governo, o PCP e a CDU não hesitaram”. E disseram-no, “com todas as letras, que o Governo PSD/CDS só continuaria a destruir o país se o PS assim quisesse”.

João Ferreira lembrou depois os reptos que tem lançado àqueles três partidos nos últimos dias — para que se pronunciem sobre o que farão relativamente ao orçamento comunitário que inclui cortes nas verbas para Portugal e sobre a reforma na Política Agrícola Comum —, para lançar “mais desafios”: terá o Governo “vontade de recuperar para o Estado o controlo público dos CTT?”, perguntou o candidato.

“Haverá coragem para colocar nas mãos do Estado, que são as mãos de todos nós, setores estratégicos?”, acrescentou, para logo prever a resposta que virá: “Às nossas perguntas, responderão com o blá blá blá dos mercados e da livre concorrência, mas este blá blá blá é retrocesso na vida de todos nós. O tempo não é de andar para trás, precisamos é de andar para a frente”, afirmou o cabeça de lista da coligação.

Jerónimo de Sousa: PS, PSD e CDS aceitam “juntinhos” o que a UE lhes quer impor

Foi na mesma ideia que Jerónimo de Sousa pegou depois, para sublinhar como o “Governo minoritário do PS, e não Governo das esquerdas, como se impõe clarificar” só tem permitido avanços por estar condicionado à esquerda pela atual correlação de forças no Parlamento. “O que temos hoje não existiria se não fossem as forças das propostas da CDU”, assegurou, dando pretexto a um forte aplauso.

Jerónimo de Sousa juntou-se este sábado à campanha da CDU (NUNO FOX/LUSA)

“Os avanços e conquistas são inseparáveis da continuada ação decisiva da CDU”, insistiu, sublinhando que “PS, PSD e CDS continuam irmanados na obediência e na submissão às imposições da União Europeia, colocando-a à frente da resposta aos problemas nacionais”. Por isso, os avanços sociais só foram possíveis porque o Governo minoritário do PS não tem “as mãos completamente livres para impor a sua vontade”.

Indo ao encontro da principal crítica apontada por João Ferreira ao PS, PSD e CDS, Jerónimo de Sousa explicou que é esta proximidade entre os três partidos que os impede de “discutir os impactos no país das políticas da União Europeia”, já que estão “apostados na picardia, na diatribe, na pessoalização da política e na política-espetáculo”.

E, porque estavam “juntinhos” no Parlamento Europeu a aceitar “tudo o que lhes quiseram impor”, PS, PSD e CDS “agora não têm lata para vir dizer que estão contra” as políticas da UE que destruíram vários setores da economia portuguesa, afirmou Jerónimo de Sousa — referindo em específico às pescas e ao setor do leite.

O comício, onde falaram também Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista Os Verdes, e João Geraldes, da Intervenção Democrática, encerrou o dia que João Ferreira dedicou à margem sul do Tejo, com passagens por Alcochete, Quinta do Conde e Almada.