Primeira Liga NOS

Os cinco jogos do FC Porto mais contestados pelo Benfica; e os três onde os encarnados foram beneficiados, segundo os do Dragão

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Nove meses depois, o campeonato termina este sábado. Benfica e FC Porto tiveram muitas lutas sobre arbitragem durante a época, de penáltis a foras de jogo com VAR pelo meio. Ainda se lembra de todas?

Uma luta que durou vários meses e que termina este sábado, na última jornada

AFP/Getty Images

O campeonato está a acabar. A principal competição nacional do desporto mais massificado em Portugal está a chegar ao fim. Tendo em conta que o primeiro jogo aconteceu a 10 de agosto, na receção do Benfica ao V. Guimarães que terminou com uma vitória dos encarnados por 3-2, foram mais de nove meses de jogos à sexta-feira, ao sábado, ao domingo ou à segunda-feira. Mais de nove meses em que os candidatos ao título se foram aproximando e afastando do objetivo final, mais de nove meses em que Benfica e Sporting trocaram de treinador, mais de nove meses em que houve tempo e espaço para os encarnados terem sete pontos de desvantagem para o FC Porto e acabarem por conquistar o 37.º Campeonato do seu palmarés. Mais de nove meses, principalmente, em que existiu tempo de sobra para ataques direcionados sobre arbitragens, diversas polémicas sobre suborno de jogadores e mais palavras do que golos marcados.

Benfica e FC Porto, precisamente pelo facto de terem visto a luta pelo título ficar reduzida a dois no início da segunda volta da Liga, foram os líderes desse jogo nem sempre bem jogado fora das quatro linhas. E se este fim de semana se joga a última, derradeira e decisiva jornada do Campeonato, também esta semana se mexeram as últimas peças no tabuleiro de xadrez que são as críticas à arbitragem no futebol português.

O FC Porto deu o primeiro passo, com uma longa entrevista de Pinto da Costa ao jornal O Jogo, onde o presidente azul e branco defendeu que o Campeonato se resolveu nas deslocações do Benfica a Santa Maria da Feira, a Braga e a Vila do Conde — esta última apenas no passado domingo. O Benfica respondeu quase de imediato, através da newsletter diária do clube, e lembrou que “sem os 10 pontos a mais que resultaram de erros de arbitragem a favor do FC Porto, a única coisa que estaria em jogo no próximo sábado seria a luta para se saber quem ficaria em 2.º e 3.º lugar”, numa contabilidade que bate certo com a que tem vindo a ser feita por Rui Santos, no programa “Tempo Extra” da SIC Notícias. Aí, o jornalista explica que os dragões terão sido beneficiados nas visitas ao Boavista, ao Santa Clara, ao Desp. Aves e ao Sp. Braga e na receção ao Rio Ave.

Sem os 10 pontos a mais que resultaram de erros de arbitragem a favor do FC Porto, a única coisa que estaria em jogo no próximo sábado seria a luta para se saber quem ficaria em 2.º e 3.º lugar”

            Pinto da Costa a “O Jogo”

O acumular de casos, declarações, acusações e conferências de imprensa mais inflamadas torna impossível uma memória total e transversal dos lances específicos que originaram as queixas de Benfica e FC Porto. Nada que um olhar aproximado e uma visita às recordações mais remotas não resolva.

Nos confrontos diretos, o Benfica não deu hipótese: venceu na Luz na primeira volta com um golo de Seferovic e voltou a ganhar no Dragão ao dar a volta com golos de João Félix e Rafa

Feirense-Benfica, jornada 28, 7 de abril, 1-4

Os encarnados acabaram por golear a equipa orientada por Filipe Martins, que entretanto foi a primeira a ser despromovida ao segundo escalão, mas começaram o jogo a perder, com um golo de Sturgeon logo aos dez minutos. Aqui, as queixas do FC Porto devem-se ao segundo golo do Feirense, anulado a Vítor Bruno aos 21 minutos, e ao penálti cometido por Ali Ghazal e convertido por Pizzi que deu o empate ainda antes do intervalo — ambas as decisões foram tomadas pelo VAR Bruno Paixão. André Almeida colocou o Benfica em vantagem no segundo minuto de descontos do primeiro tempo e Seferovic, com um bis na segunda parte, resolveu a partida.

Na altura, o Feirense fez um comunicado oficial através das redes sociais e destacou os dois lances — e ainda mais um, em que reivindica uma grande penalidade a seu favor –, que dizia “envergonharem” o futebol português. Francisco J. Marques também se juntou às críticas, comentando a partida no Twitter com a frase “quando a sistemática coação dá resultado”. O Benfica respondeu ainda na mesma noite, questionando “onde andava esta equipa tão motivada” do Feirense e garantindo que não existiram erros de arbitragem.

Sp. Braga-Benfica, jornada 31, 28 de abril, 1-4

O mesmo resultado e uma história semelhante, já que também em Braga o Benfica começou a perder antes de dar a volta ao resultado. Wilson Eduardo adiantou os minhotos aos 35 minutos, de penálti, mas os encarnados deram a volta com dois penáltis convertidos por Pizzi já na segunda parte (para depois Rúben Dias e Rafa ainda terem tempo de engordar o resultado). O Sp. Braga criticou a arbitragem através de um comunicado, onde garantiu que ficou por marcar “um penálti por jogo perigoso com contacto sobre Paulinho” e que foi “indevidamente marcada” uma grande penalidade a favor dos encarnados, “apesar de não existir falta de Ricardo Esgaio”, referindo-se aqui ao penálti que deu o empate e que foi cometido sobre João Félix.

A opinião foi corroborada pelo FC Porto, que partilhou as imagens dos lances nas redes sociais e disse que “isto foi às claras para toda a gente ver”. E até André Villas-Boas, ex-treinador dos dragões, acompanhou o vídeo do penálti cometido sobre João Félix com a palavra “ridículo” na respetiva conta de Twitter.

Rio Ave-Benfica, jornada 33, 12 de maio, 2-3

O FC Porto goleou o Nacional na Madeira e adiou todas as decisões para a última jornada. Contudo, um resultado que não a vitória do Benfica em Vila do Conde abria uma porta à esperança dos dragões. Rafa inaugurou o marcador logo aos três minutos mas o lance polémico foi o do segundo golo, já nos descontos da primeira parte. João Félix alargou a vantagem encarnada mas ficou a dúvida sobre uma eventual grande penalidade cometida por Florentino sobre Gabrielzinho no início da jogada — e também sobre a alegada posição de fora de jogo do jovem jogador do Benfica.

Nada foi assinalado, Tarantini ainda reduziu no início da segunda parte mas um golo de Pizzi poucos minutos depois tranquilizou os encarnados (que ainda viram Ronan fazer o 2-3 nos últimos dez minutos). No final da partida, Francisco J. Marques disse que “este Campeonato fica marcado pelos erros gravíssimos a favor do Benfica”. “E nem as revisões emendaram dois erros colossais porquê? Não sabem as regras? Uma vergonha estas vitórias da mentira”, acrescentou o responsável pela comunicação dos dragões, que foi depois respaldado por Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto. “El Guito acaba de ser eleito o melhor jogador da liga”, escreveu o autarca nas redes sociais.

Boavista-FC Porto, jornada 11, 2 de dezembro, 0-1

Numa fase ainda inicial do Campeonato — mas já depois de perder com o Benfica na Luz no primeiro clássico da temporada –, o FC Porto só conseguiu vencer no Bessa graças a um golo de Hernâni ao quinto minuto de descontos. Na altura, o Benfica reclamou um penálti que terá ficado por assinalar ao minuto 70, quando o resultado ainda era 0-0, cometido por Brahimi sobre Rochinha.

Na altura, Luís Bernardo, responsável pela comunicação do Benfica, declarou que “infelizmente assistimos a mais uma vitória suja nesta Liga sem verdade desportiva”. “Mais uma vez assistimos a uma decisão escandalosa e incompreensível, ao não ser marcado um penálti que toda a gente viu a favor do Boavista”, acrescentou.

Santa Clara-FC Porto, jornada 13, 15 de dezembro, 1-2

Os dragões começaram a perder nos Açores, com um golo de Zé Manuel aos 38 minutos, mas Soares conseguiu empatar já nos descontos da primeira parte. Marega fez o golo da vitória ainda nos primeiros minutos do segundo tempo mas o lance mereceu muitas dúvidas graças a uma eventual falta de Soares no início da jogada.

O Benfica voltou a reagir nas redes sociais. “Mais uma vitória suja com um golo precedido de falta clara. Mais uma jornada que envergonha o futebol português na liga Blue Velvet. Terceira jornada seguida de FC Porto ao colo. Degradante”, escreveu o clube da Luz na conta oficial de Twitter.

FC Porto-Rio Ave, jornada 14, 23 de dezembro, 2-1

Pela segunda jornada consecutiva, o FC Porto começou a perder. Carlos Vinícius colocou o Rio Ave em vantagem logo ao minuto 12 mas Marega empatou as contas apenas quatro minutos depois. Brahimi voltou a marcar ainda antes da meia-hora e fechou o resultado de um jogo sofrido e difícil para os dragões mas o Benfica ficou a reclamar uma eventual grande penalidade de Soares sobre Nadjack, aos 63 minutos, que não foi assinalada.

Desp. Aves-FC Porto, jornada 15, 3 de janeiro, 0-1

Na primeira jornada disputada em 2019, o FC Porto deslocou-se à Vila das Aves e não conseguiu mais do que uma vitória magra pela vantagem mínima. O golo decisivo foi apontado por Éder Militão, ao minuto 25, mas o Benfica defendeu na altura que o central brasileiro estava em posição de fora de jogo na altura do desvio de Felipe depois de uma jogada de insistência. De recordar que esta foi a mesma jornada em que os encarnados perderam com o Portimonense, num resultado que acabou por ditar a saída de Rui Vitória do comando técnico do clube da Luz.

Sp. Braga-FC Porto, jornada 27, 30 de março, 2-3

Fast forward para a 27.ª jornada, apenas três semanas depois de o FC Porto perder no Dragão com o Benfica e numa altura em que a equipa de Sérgio Conceição já tinha margem de erro nula para os jogos restantes. Numa deslocação sempre difícil a Braga, e tal como mais tarde aconteceu quando os minhotos receberam o Benfica, Wilson Eduardo colocou o conjunto de Abel Ferreira em vantagem logo aos 4 minutos. Soares empatou aos 26′, Murilo voltou a agarrar a vantagem já na segunda parte mas Alex Telles repôs a igualdade de grande penalidade a vinte minutos do apito final — num lance que ficou marcado pela lesão do lateral brasileiro logo depois de rematar. Soares bisou e fez o golo da vitória, também de penálti, aos 79 minutos, mas o Benfica sublinhou uma falta cometida por Corona sobre Wilson Eduardo no interior da grande área do FC Porto aos 87 minutos: que não foi assinalada e que poderia dar o empate dos minhotos.

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