Para a Juventus, neste momento, a Liga italiana é uma odisseia já conquistada que se arrasta a cada fim de semana. À entrada para a penúltima jornada, a 37.ª, a equipa de Cristiano Ronaldo já jogava o quarto jogo depois de se sagrar octocampeã italiana. A receção deste domingo à Atalanta, porém, tinha interesse acrescido: e não só por a Atalanta ser a sensação desta edição da Liga italiana e ainda estar a lutar por um lugar na Liga dos Campeões da próxima temporada. Este domingo, em Turim, a Juventus jogava uma partida de despedidas.

Antes de tudo o resto, a Juve despedia-se do Allianz Arena, de Turim, dos adeptos e dos jogos em casa até à próxima época. Depois, era o último jogo em casa de Andrea Barzagli, histórico central de 38 anos que anunciou em abril que vai terminar a carreira no final da temporada (e que contava com a presença de Gianluigi Buffon na bancada). Por fim, e de forma a superiorizar-se a todas os outros adeus, era o último encontro em casa de Massimiliano Allegri, depois de a Juventus ter anunciado na sexta-feira que o treinador italiano vai deixar o clube no final da Liga.

Depois de ser pentacampeão italiano e chegar a duas finais da Liga dos Campeões, Allegri parece não ter resistido à frustração da Liga dos Campeões, onde a Juventus caiu logo nos quartos de final com o Ajax. Na conferência de imprensa que oficializou a separação entre as duas partes, este sábado em Turim, o presidente Andrea Agnelli revelou que pensou em segurar o treinador depois da eliminação da Champions mas acabou por mudar de ideias, confirmando que a saída de Allegri partiu da direção do clube. “Após a derrota com o Ajax pensei, sinceramente, continuar com o Max. Somos todos úteis mas ninguém é indispensável. A história do clube é sempre maior do que a história de qualquer individualidade”, sentenciou Agnelli.

O treinador italiano confirmou, ainda que sempre parco em palavras. “Conversámos, discutimos e todos deram a sua opinião sobre o futuro e sobre o que é necessário para a Juve. O clube decidiu que o melhor é que eu não seja mais o seu treinador”, disse Allegri, cujas declarações já estão a motivar notícias de que o técnico terá pedido a saída de vários jogadores para continuar, incluindo Dybala e João Cancelo, e que terá sido esse o principal ponto de discórdia entre treinador e direção. Rumores à parte, a verdade é que Allegri vai sair e deixar vago um dos lugares mais apetecíveis do futebol europeu. Cristiano Ronaldo, por seu lado, recorreu ao Instagram para se despedir do treinador que o recebeu em Itália e afirmar que foi “excecional” e “um prazer” trabalhar com Massimiliano Allegri.

No que diz respeito ao jogo propriamente dito, Cristiano Ronaldo — que antes do apito final recebeu o prémio de melhor jogador do ano em Itália — era titular e jogava destacado no ataque, numa posição que o deixa sempre algo desamparado e demasiado tapado para conseguir desequilibrar. João Cancelo também entrava no onze inicial, na direita da defesa, e Moise Kean, Mandzukic, Chiellini, Bernardeschi e Bentancur começavam todos no banco de suplentes. A Atalanta, a surpresa da Liga e o melhor ataque de Itália, começou bem melhor e depressa conseguiu amarrar o meio-campo da Juve, principalmente Pjanic, que mal tocou na bola na primeira parte. Ronaldo, por sua vez, ou não tinha bola ou não tinha com quem jogar, já que Dybala estava sempre demasiado longe. Nas alas, Cuadrado e Matuidi não subiam e não reagiam à perda da posse de bola. Tudo somado e aliado a uma boa exibição de Zapata e Ilicic, o aparecimento do golo da Atalanta foi tudo menos surpreendente.

Buffon, que esta temporada foi campeão francês com o PSG, regressou a Turim para a despedida de Barzagli

Aos 33 minutos, Ilicic apareceu ao segundo poste para responder a um pontapé de canto a partir da direita e inaugurou o marcador. A equipa de Bérgamo, que na primeira volta conseguiu segurar um empate em casa com a Juventus (2-2) e eliminou a vecchia signora nos quartos de final da Taça de Itália (e perdeu a final a meio da semana, com a Lazio), chegava assim aos 100 golos em todas as competições esta temporada e estava a ganhar de forma natural em Turim ao intervalo — até porque a equipa de Cristiano Ronaldo terminou a primeira parte com apenas um remate enquadrado.

Na entrada para a segunda parte, Allegri lançou Bernardeschi para o lugar de Alex Sandro, motivando a ida de João Cancelo para a esquerda da defesa e o recuar de Cuadrado para a posição de lateral direito. A Juventus voltou muito melhor para o segundo tempo, com mais transições pelas alas e mais posse de bola, fruto de um meio-campo subido e mais acordado que também beneficiava do desgaste acumulado da Atalanta. O treinador da Juve voltou a deixar claro que o encontro era para ganhar, apesar de já só contar para motivos de calendário, quando desmontou a defesa e tirou Barzagli (que saiu em lágrimas e teve direito a volta olímpica) para colocar Mandzukic. Emre Can desceu para central e o conjunto de Cristiano Ronaldo tombou totalmente para a frente à procura do golo do empate.

O golo do empate apareceu a dez minutos do apito final, com um esforço enorme de Mandzukic ao segundo poste depois de um cruzamento largo de Cuadrado, e a Juventus terminou a partida em cima da Atalanta à procura da vitória mas acabou por não conseguir mais do que a igualdade. Ainda assim, a equipa de Turim conseguiu evitar a primeira derrota em casa para a Serie A esta temporada — ainda que continue sem vencer há quatro jogos, desde que foi octocampeã italiana, e só tenha ganho um dos últimos oito encontros. Massimiliano Allegri não conseguiu despedir-se de Turim e do Allianz Arena com aquilo que mais teve ao longo de cinco anos, uma vitória, e a Juventus já só quer arrumar as malas, fechar a temporada e ir de férias.