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Atelier-Museu Júlio Pomar assinala quarta-feira morte do artista com entradas gratuitas

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Um ano após a morte do pintor Júlio Pomar, o Atelier-Museu com o seu nome, em Lisboa, vai assinalar a data, na quarta-feira, com entradas gratuitas, uma exposição e um livro sobre as obras do artista.

INÁCIO ROSA/LUSA

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  • Agência Lusa
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Um ano após a morte do pintor Júlio Pomar, o Atelier-Museu com o seu nome, em Lisboa, vai assinalar a data, na quarta-feira, com entradas gratuitas, uma exposição e um livro sobre as obras do artista no espaço público.

No dia 22, quarta-feira, a diretora do Atelier-Museu, Sara Antónia Matos, publicará uma carta dirigida ao artista, intitulada “1 Ano Após”, na qual faz um balanço do último ano da atividade da instituição, e apresenta projetos para o futuro, nomeadamente a edição de uma fotobiografia e a criação de uma bolsa de mestrado para investigação da obra do pintor.

“Querido Júlio – Faz agora 1 ano que morreste e a data é o momento oportuno para te dizer que o Atelier-Museu Júlio Pomar não parou, que continua a realizar e a levar à prática um programa de ações de que certamente te orgulharias, olhando para a frente como sempre fizeste”, começa a missiva, a que a agência Lusa teve acesso.

Na carta, a diretora desta entidade, inaugurada em 2013, e tutelada pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) da Câmara de Lisboa, dá conta de projetos futuros, entre os quais a execução da fotobiografia e a preparação da metodologia para o lançamento do trabalho de edição do catálogo ‘raisonné’, de meados de 1980 em diante – o catálogo de toda a obra do pintor, com imagens e documentos de contextualização, dos últimos 30, 40 anos de atividade -, e projetos de investigação de “mais longo fôlego”.

Também está previsto o estabelecimento de um protocolo de colaboração com o Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa (IHA, FCSH-UNL), através do qual atribuirá uma bolsa de mestrado a um estudante universitário que desenvolva uma investigação sobre a sua obra.

Pintor e escultor, nascido em Lisboa em 1926, Júlio Pomar morreu em maio do ano passado, aos 92 anos, sendo considerado um dos criadores de referência da arte moderna e contemporânea portuguesa.

O artista deixou uma obra multifacetada – na pintura, escultura, colagem, azulejo, desenho – que percorre mais de sete décadas, influenciada pela literatura, a resistência política, o erotismo e algumas viagens, como à Amazónia, no Brasil.

Na carta, a diretora do Atelier-Museu recorda ainda iniciativas realizadas no ano passado, como a exposição “O que pode a arte? — 50 anos do Maio de 68”, alusiva à revolução estudantil e à movimentação social, a exposição em Serralves e a performance inédita de homenagem ao pintor, realizada por Luisa Cunha.

Recorda ainda que, no final do ano de 2018, como forma de reconhecimento pela cooperação entre a Fundação Júlio Pomar e o Atelier-Museu, instalou-se no pátio um auto-retrato do artista em azulejo.

Nessa altura, foram acrescentadas algumas obras de arte à coleção em depósito no museu – aquisição da EGEAC e doação da Fundação Júlio Pomar -, alargando assim as possibilidades de trabalho com o acervo.

Também foi levada a exposição “Júlio Pomar: Da cabeça à mão”, com obras da coleção do Atelier-Museu, ao Instituto Politécnico de Viana do Castelo, visando descentralizar e dar a conhecer a obra fora das grandes metrópoles, uma iniciativa que vai continuar noutras localidades, segundo a diretora.

“Sentimos falta da tua presença e acompanhamento, das tuas visitas ao Atelier-Museu e sobretudo das tardes de conversa”, diz ainda Sara Antónia Matos, na missiva.

Com seis anos de atividade no balanço, desde que abriu as portas, o Atelier-Museu Júlio Pomar conta atualmente com a colaboração de várias instituições e artistas, desenvolvendo um programa para o público com exposições, conversas, ciclos de cinema, seminários, cursos, publicações e debates.

Atualmente, o Atelier-Museu Júlio Pomar mostra a exposição “Júlio Pomar: Formas que se tornam outras”, que reflete sobre o modo como o erotismo e a sexualidade atravessaram a obra do artista ao longo de mais de 70 anos, com especial incidência nas décadas de 1960 e 1970.

No dia 22 de maio, quarta-feira, o Atelier-Museu Júlio Pomar terá entrada gratuita, e a entidade lançou um livro sobre a obra do artista no espaço público.

No final de junho, será ainda organizado um ciclo de cinema em que serão mostrados os vários filmes que Tereza Martha, viúva de Júlio Pomar, realizou, nas décadas de 1970 e 1980, sobre vários artistas portugueses, nomeadamente o próprio Júlio Pomar, assim como sobre António Dacosta, Menez, Hogan, Lourdes Castro e Manuel Zimbro.

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