O antigo líder do PSD Luís Marques Mendes defendeu que a retirada de condecorações a Joe Berardo abre um precedente e, por isso, é “minimamente óbvio” que seja instaurado um processo disciplinar a José Sócrates, que recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 2005, pelo Presidente Jorge Sampaio.

Marques Mendes deixou claro que concorda com a retirada das condecorações a Berardo, no seu espaço de comentário habitual na SIC: “Acho que ele se comporta altivez, com uma arrogância, com uma má-educação que, de facto, justifica.” Mas, para o comentador, “há um caso que tem de ser encarado também: José Sócrates”. “Não está ainda condenado — e não sei se alguma vez vai estar —, mas daquilo que já se conhece do seu comportamento, da sua conduta, é um comportamento impróprio, é uma conduta absolutamente inadmissível no plano político e no plano ético. Ou seja, tem grande responsabilidade porque é um ex-primeiro-ministro”, justificou.

Por maioria de razão, se tiram a Berardo, também acho que têm de instaurar um processo disciplinar a José Sócrates. Acho que é minimamente óbvio. Não é nenhuma questão minimamente pessoal, nem partidária, nem política”, defendeu.

O ex-líder do PSD defendeu que o caso Berardo é um “caso de polícia” e apontou o dedo a todos o que nele tiveram intervenção: o comendador porque “é clarinho que, no mínimo, aldrabou” e, “no máximo, cometeu um crime de burla”, mas também os gestores bancários porque “tiveram comportamentos dolosos ou, no mínimo, negligentes”. ”

Nem um nem outro merecem nem desculpa, nem perdão. Uma parte e outra merecem ser investigados e irem a julgamento”, disse Marques Mendes, alertando que “por muito menos” já viu “lá fora no estrangeiro, devedores e gestores em circunstâncias semelhantes, na cadeia”.

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Foi neste sentido que Marques Mendes considerou que o caso Berardo “é o primeiro grande desafio à nova Procuradora-Geral da República“, Lucília Gago, “à sua coragem e à sua capacidade de intervenção” e de “decidir com rapidez”. Para se justificar, o comentador deu como exemplo o caso Marquês que “demorou quatro anos até haver uma acusação”; o caso BES que “já vai em quase cinco anos e ainda não tem sequer acusação nenhuma” e a investigação das PPP rodoviárias que “já vai em oito ou anos”. “Se acontece a mesma situação à Caixa Geral de Depósitos, isto fica para a eternidade”, disse.

Isto não é aceitável. Se não há meios para investigar, a Procuradoria-Geral da República tem que vir a público e dizer: “Faltam meios. Precisamos de mais meios”. Se há falta de meios e o Governo não dá meios, então também temos de agir”, alertou Marques Mendes.

O comentador político lamentou ainda a “lentidão” em que se encontra o sistema judicial e as falhas sucessivas: “Perdem-se provas, atuam as prescrições fica tudo na secretaria e as pessoas indignam-se. E, nessa altura, não é só criticar Berardo e outros devedores, não é só criticar os gestores. É criticar a justiça”.

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