Angola

Governo angolano desmente existência de vala comum na Lunda Norte

Um homem de 35 anos foi morto a tiro e encontrado enterrado. O Governo diz que as informações sobre a existência de um local onde estão enterrados vários corpos são "caluniosas".

Dez pessoas morreram também no setor do Calonga, município onde são explorados diamantes

Ana Freitas/LUSA

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  • Agência Lusa
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O Ministério do Interior de Angola e as autoridades da província da Lunda Norte desmentiram esta segunda-feira a alegada existência de uma suposta vala comum, onde terão sido enterrados vários cadáveres na localidade de Calonda.

Num comunicado de imprensa, o Governo angolano refere que as informações que “estão a circular nas redes sociais” são “caluniosas” e provenientes “de indivíduos descontentes com o trabalho de combate ao garimpo e à imigração ilegal, que tem sido desencadeado por forças do sistema de segurança a nível do município do Lucapa, concretamente na localidade de Calonda”.

Segundo o Ministério do Interior, a no dia 4 deste mês, alguns cidadãos, membros de uma família, comunicaram à Polícia local sobre o desaparecimento de um familiar na área de Camafuca, consignada ao Projeto Calonda.

As imagens sobre a existência de uma suposta vala comum são falsas, na medida em que o único caso isolado registado até ao momento refere-se ao corpo do cidadão nacional, de 35 anos de idade, que em vida chamou-se Manhonga Matos, natural da comuna de Caluango, município do Cuilo, que se encontrava enterrado, vítima de disparos de arma de fogo, cujos autores, devidamente identificados, encontram-se a contas com a justiça”, salienta a nota.

O Ministério do Interior adianta que reforça a tese de falsidade das informações a circularem nas redes sociais o facto de não se indicar “a área onde se pode localizar a suposta vala comum, muito menos faz referência de vários cidadãos que reclamassem o desaparecimento de seus familiares”.

“A delegação provincial do Ministério do Interior defende o bem vida como um direito consagrado na Constituição da República e condena a atitude dos prevaricadores”, lê-se no documento, que apela aos cidadãos “a confiarem nas instituições policiais”.

Também esta segunda-feira numa conferência de imprensa, a UNITA referiu que, numa visita efetuada entre os dias 9 e 13 deste mês à Lunda Norte, foi informada por autoridades tradicionais e pela população local da morte de dez pessoas, no setor do Calonga, município diamantífero do Lucapa, Lunda Norte, cometida alegadamente por um grupo de efetivos das forças de defesa e segurança.

Segundo o vice-presidente do maior partido da oposição angolana, Raul Danda, enquanto primeiro-ministro do Governo Sombra, os dirigentes da UNITA que realizaram a visita foram informados pelo delegado provincial do Ministério do Interior e segundo comandante da Polícia Na Lunda Norte, subcomissário Francisco Henrique Costa, que o envolvimento de diferentes forças de defesa e segurança, incluindo o de forças especiais, na Operação Transparência – de combate à imigração ilegal e exploração ilícita de diamantes – está na origem de conflitos com a população local. “Há falta de sensibilidade de muitas delas em lidar com casos de motins, tumultos e levantamentos populares”, referiu o subcomissário Francisco Henrique Costa.

Lunda Norte é uma província angolana de forte exploração diamantífera e daí surgem “relatos constantes de desentendimentos entre cidadãos e forças de segurança” das empresas exploradoras de diamante.

O diamante do leste de Angola atrai angolanos e estrangeiros, sendo a região um dos centros da “Operação Transparência”, de “combate ao garimpo e imigração ilegal”, que já viu o “repatriamento voluntário” de centenas de estrangeiros, maioritariamente, da RDCongo.

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