Os jornais alemães Der Spiegel e Süddeutsche Zeitung lançaram o escândalo na Áustria com a publicação de um vídeo, gravado em 2017, onde o homem que viria a ser líder do partido mais pequeno da coligação que governa o país aparece a ser corrompido a troco de volumosos financiamentos russos para a campanha eleitoral. Além de Heinz-Christian Strache, nas imagens está um adjunto (Johann Gudenus), que ajudava a traduzir o diálogo entre o político nacionalista e uma misteriosa mulher loira que se apresentou como sobrinha de um oligarca russo com ligações a Vladimir Putin — quem é esta mulher?

A imprensa russa diz que a mulher se chama Alena Makarova, que além de nacionalidade russa tem, também, passaporte letão. A mulher apresentou-se como sobrinha de Igor Makarov, um magnata do petróleo que em 2013 vendeu uma série de ativos energéticos à gigante russa Rosneft — o magnata tem, também, ligações com um oligarca ucraniano chamado Dimitri Firtash, um homem associado a vários casos criminais que hoje reside na Áustria.

Mas esse magnata, alegadamente o tio da mulher loira que se disponibilizada a investir 250 milhões de euros na Áustria, garante que não tem qualquer ligação com o caso. Uma sobrinha? “É amplamente conhecido que sou um filho único, e não tenho quaisquer sobrinhas”, garante Igor Makarov, citado pela RT. “Não tenho qualquer laço familiar com a mulher que diz chamar-se Alena Makarova e não a conheço, de todo”, garante o milionário russo.

Makarov garante que vai recorrer aos meios legais para limpar o seu nome, já que neste “escândalo de Ibiza” (cidade espanhola onde as imagens foram captadas) aparece como o empresário disposto a financiar o partido nacionalista (FPÖ) a troco de futuros contratos públicos na Áustria. O líder do governo, Sebastian Kurz, convocou eleições antecipadas para o mais breve possível — provavelmente em setembro. E Strache demitiu-se.

Uma peça-chave para compreender esta trama, escreve o El Mundo, está no adjunto de Strache, o tal homem mais jovem que ajudou à compreensão entre a mulher e o líder do FPÖ. Terá sido este homem, Johan Gudenus, que foi contactado por pessoas ligadas à mulher loira — é o filho de um dos mais bem conhecidos extremistas da Áustria, que já morreu. Fala russo fluentemente porque estudou em Moscovo, na mesma faculdade de onde saem grande parte dos governantes, diplomatas e espiões russos (a Academia Diplomática do Ministério dos Negócios Estrangeiros).

O governo russo diz que não tem qualquer conhecimento deste caso. O senador Oleg Morozov falou em nome do Kremlin alertando que tudo não passará de uma “provocação orquestrada”.