Caixa Geral de Depósitos

“É óbvio” que a CGD está a fazer tudo para recuperar créditos a Berardo, diz presidente

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O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, disse que "é óbvio" que o banco está a fazer tudo o que é possível para recuperar parte da dívida do empresário Joe Berardo.

RODRIGO ANTUNES/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) disse que “é óbvio” que o banco está a fazer tudo o que é possível para recuperar parte da dívida do empresário Joe Berardo.

Sobre clientes concretos não falamos, sobre se a Caixa está a fazer tudo o que é possível, parece-me óbvio”, disse Paulo Macedo, à margem da cerimónia de assinatura do protocolo entre a CGD e a Agência para a Modernização Administrativa que permite a realização de operações bancárias através do Cartão de Cidadão ou Chave Móvel Digital.

Sem querer referir-se a Joe Berardo em concreto, Macedo disse que o banco público fará “com esse cliente como com todos”, ou seja, “todas as diligências para a Caixa ser ressarcida pelo valor que for possível”.

Sobre como irá a CGD atuar, uma vez que Joe Berardo disse no parlamento que “pessoalmente” não tem dívidas, dado que são de entidades controladas por si, o presidente executivo da CGD considerou que essa “questão está esclarecida”.

“Todos os jornais já disseram que há dívidas”, concluiu.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse na semana passada em entrevista à Rádio Renascença que a CGD tem de usar “todos os mecanismos legais” para recuperar as dívidas de Joe Berardo.

“Espero que sejam ativados todos os mecanismos legais”, vincou.

CGD, BCP e Novo Banco meteram em abril uma ação executiva sobre Joe Berardo para cobrar 962 milhões de euros. A ação tem como executados Berardo (pessoalmente), a Fundação Berardo e a Metalgest, ‘holding’ que detém várias participações do empresário e é controlada pela Fundação, segundo o Expresso.

Um dos objetivos da ação é aceder às obras de arte da Coleção Berardo, sobre a qual o empresário tem um acordo com o Estado pela qual as obras de arte estão em exposição no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, até 2022, não podendo ser vendidas.

A CGD tem ainda ações individuais contra Berardo também por créditos incobráveis.

Os créditos concedidos pelos bancos a Joe Berardo serviram sobretudo para financiar a compra de ações do BCP, no âmbito da guerra de poder no banco de 2007.

Como garantia dos créditos, o empresário deu precisamente as ações do BCP que estava a comprar com os empréstimos, que entretanto desvalorizaram significativamente gerando perdas avultadas para a CGD.

A ida de Joe Berardo à comissão parlamentar de inquérito à CGD no passado dia 10 provocou um coro de críticas, desde logo pela forma como se dirigiu aos deputados.

Perante os parlamentares, o empresário madeirense declarou que é “claro” que não tem dívidas, uma vez que as dívidas aos bancos (incluindo o banco público CGD) não são dívidas pessoais, mas de entidades ligadas a si.

Berardo afirmou ainda que tentou “ajudar os bancos” com a prestação de garantias e que foram estes que sugeriram o investimento em ações do BCP.

Deu ainda a entender que os títulos de participação da Associação Coleção Berardo (a dona das obras de arte) que entregou aos bancos para reforçar as garantias dos empréstimos perderam valor com um aumento de capital em que as entidades financeiras não participaram, aparentemente porque não souberam que existiu.

A várias perguntas dos deputados, Joe Berardo disse ainda que deveriam era ser feitas aos bancos em causa: “Pergunte à Caixa, eles é que me emprestaram o dinheiro”.

Já confrontado com a ideia de que a Caixa “está a custar uma pipa de massa”, respondeu: “A mim, não!”.

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