Huawei

Huawei acusa EUA de “assédio” por imposição de sanções

"É um ataque contra a ordem liberal baseada em regras. E isto é perigoso. Agora, está a acontecer à Huawei, amanhã pode acontecer com outra empresa internacional" diz o representante da empresa na UE.

ROMAN PILIPEY/EPA

A empresa chinesa Huawei acusou hoje os EUA de “assédio”, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter proibido as empresas norte-americanas de usarem equipamento fabricado por aquela marca de telecomunicações.

Na passada semana, Donald Trump alegou riscos de segurança nacional para impedir as empresas dos EUA de recorrerem a tecnologia da chinesa Huawei, pelo risco de invasão abusiva de dados que ficariam ao serviço do Governo de Pequim.

Segunda-feira, Trump suspendeu a sanção sobre a Huwaei por três meses e a empresa de telecomunicações chinesa continua a desmentir quaisquer riscos de espionagem.

Esta terça-feira, durante um evento em Bruxelas, o representante da Huawei para as instituições da União Europeia, Abraham Liu, acusou os EUA de “assédio”, dizendo que as sanções anunciadas sobre a sua empresa constituem um desrespeito pelas regras internacionais de comércio.

“A Huawei respeita todas as leis e regulamentos aplicáveis. Tornámo-nos vítimas de assédio por parte da administração dos EUA”, disse Abraham Liu, acrescentando que este ataque não é apenas contra a Huawei.

“Este é um ataque contra a ordem liberal baseada em regras. E isto é perigoso. Agora, está a acontecer à Huawei, amanhã pode acontecer com qualquer outra empresa internacional. Podemos fechar os olhos a este comportamento?”, interrogou-se o representante da empresa chinesa.

Abraham Liu referiu ainda que a tecnologia 5G que a Huawei está a desenvolver é o resultado de cooperação com parceiros europeus e está adaptada às necessidades e desafios da Europa.

“A Huawei opera na Europa há quase 20 anos, temos 12.200 funcionários na Europa, 70% contratados localmente”, disse Liu.

Trump invocou emergência nacional, na quarta-feira passada, para proibir as empresas do país de usar equipamentos de telecomunicações fabricados por empresas que supostamente tentam espionar os Estados Unidos, o que restringe os negócios com empresas chinesas, como a Huawei.

Os Estados Unidos lideram uma campanha global para impedir que empresas asiáticas, como a Huawei, assumam o controle das redes 5G, que permitem navegar na Internet com muito mais velocidade e que podem facilitar o desenvolvimento de tecnologias autónomas para conduzir operações por controlo remoto.

Os EUA temem que a China use as redes 5G da Huawei para espionagem, acusações que a empresa chinesa negou categoricamente.

Após a medida anunciada por Trump, as principais empresas de tecnologia dos EUA, incluindo a Google, anunciaram que deixarão de vender componentes e ‘software’ para a Huawei.

Na segunda-feira, o Departamento de Comércio dos EUA emitiu uma licença de suspensão do veto sobre a Huawei, durante 90 dias, para preparar a transição para a fase em que as sanções entrem em vigor.

A Comissão Europeia reiterou ontem que a Europa é um “mercado aberto” e que cabe a cada país decidir se impõe restrições a qualquer empresa por razões de segurança.

Bruxelas tem mostrado em várias ocasiões preocupação com a entrada da Huawei na implantação de futuras redes móveis 5G na Europa, sabendo-se que as empresas chinesas serão obrigadas por lei a cooperar com os serviços secretos do seu país.

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