Mais de 3.600 operacionais e 2.200 figurantes vão participar, na próxima semana, no maior exercício de proteção civil realizado em Portugal e que conta com a presença de cinco países europeus, foi esta terça-feira anunciado.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) apresentou esta terça-feira o exercício europeu de proteção civil ‘Cascade’19’, que vai realizar-se entre 28 de maio e 1 de junho nos distritos de Lisboa, Aveiro, Setúbal e Évora. O exercício, cofinanciado em 80% pela Comissão Europeia, tem um custo de 1,3 milhões de euros, conta, para além da ANEPC, com a participação de cerca de 150 operacionais de Espanha, Bélgica, Alemanha, Croácia e França.

No total vão estar envolvidos 22 municípios que vão ter 40 cenários diferentes para testar a capacidade das respostas local, nacional e internacional, segundo a ANEPC.

O ponto de partida para este exercício europeu é a ocorrência de um episódio de condições meteorológicas adversas no distrito de Aveiro e de um sismo no sul do país com impactos na zona de Lisboa, Setúbal e Évora. A partir destes dois eventos acontecem uma série de ocorrências, como acidentes químicos e radiológicos em barragens e em complexos industriais, inundações, poluição no mar e desastres rodoviários, ferroviários e marítimos. Estas diferentes ocorrências vão permitir a intervenção no terreno de equipas com valências e capacidades distintas, nomeadamente buscas e salvamento, evacuações, emergência médica, mortuária, apoio social e psicológico e acolhimento de equipas internacionais.

Além de pretender testar a resposta conjunta nacional, o exercício pretende também melhorar a capacidade de resposta no quadro do Mecanismo Europeu de Proteção Civil e avaliar a capacidade de integrar os meios de outros países.

A segunda comandante operacional nacional da ANEPC, Patrícia Gaspar, afirmou que é fundamental existirem procedimentos homogéneos entre os diferentes países em relação ao acolhimento de equipas internacionais.

O exercício vai permitir aprovar uma diretiva operacional nacional para acolhimento de assistência internacional. “Queremos um exercício que permita detetar as falhas e corrigi-las”, disse Patrícia Gaspar.

O presidente da ANEPC, tenente-general Mourato Nunes, referiu que, por razões históricas, os incêndios rurais têm uma expressão muito grande em Portugal, mas a Proteção Civil trabalha também com outras tipologias de ocorrências que podem ocorrer.

Mais de 20 entidades portuguesas vão estar envolvidas neste exercício, que vai funcionar com “movimentação real de meios de proteção e socorro”.