O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, disse esta quarta-feira que o compromisso do banco relativamente à devolução dos salários cortados entre 2014 e 2017 é de “propor anualmente” a reposição em função dos resultados do banco.

“O nosso compromisso, e foi assumido ainda no tempo da anterior administração [de Nuno Amado], (…) era de propor anualmente à assembleia-geral em função daquilo que fossem os resultados do banco”, disse Miguel Maya aos jornalistas à saída da reunião magna de acionistas do BCP, que decorreu esta quarta-feira no Tagus Park, em Oeiras, distrito de Lisboa.

Miguel Maya salientou que o que o banco tem de fazer é “garantir que gera esses resultados”, para no próximo ano, na assembleia-geral, fazer “nova proposta”.

Os acionistas do BCP aprovaram esta quarta-feira em assembleia-geral, com 99,98% dos votos a favor, a distribuição de dividendos e a devolução de parte dos salários que sofreram cortes entre 2014 e 2017.

Relativamente às reivindicações dos sindicatos, que pretendiam uma devolução total dos salários no imediato e aumentos salariais para 2018, o presidente executivo do BCP falou em “diferentes opiniões”. “Tem havido um processo de diálogo construtivo. Aliás, os sindicatos já num momento inicial, quando tivemos de reduzir as remunerações aos colaboradores, tiveram uma postura muito correta que permitiu ajudar o banco a percorrer este momento difícil”, disse Miguel Maya.

O líder do BCP considerou que “o tema das negociações é algo que está a ser feito com cada um dos sindicatos”, decorrendo de forma “normal”. Miguel Maya disse ainda que a divulgação da lista dos grandes devedores da banca, cujo prazo para entrega por parte do Banco de Portugal ao parlamento termina esta quinta-feira, lhe suscita “dois níveis de preocupação”.

O BCP pediu “reserva” sobre casos de “clientes que estão a fazer o seu processo de recuperação” e ainda sobre créditos que o banco está a vender no mercado, revelou Miguel Maya.

Sobre a audição ao empresário Joe Berardo no parlamento, na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD), Miguel Maya recusou falar em casos específicos mas garantiu “que o BCP toma todas as medidas adequadas para proteger os seus interesses, ou seja, para minimizar a perda esperada que tem nos créditos em incumprimento”.

A reunião magna do banco liderado por Miguel Maya foi hoje marcada por uma manifestação de vários sindicatos, que exigiam a reposição imediata dos salários, que sofreram cortes entre 2014 e 2017, e aumentos relativos a 2018.

Antes da assembleia-geral, representantes do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) e do Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) disseram à Lusa que se manifestavam pela atualização salarial em 2018 e pela devolução integral dos valores que foram alvo de cortes salariais entre 2014 e 2017.