Um relatório do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários (GPIAAF) a um descarrilamento de um comboio na Linha do Douro aponta para a falta de recursos para fazer ações adicionais de manutenção da ferrovia, avança o Público na sua edição desta quarta-feira.

“Qualquer alteração ao roteiro de manutenção em vigor, para deteção de fissuras não detetáveis por inspeção visual, resultará diretamente numa maior afetação de recursos humanos internos que, face ao atual quadro técnico insuficiente, agravado pelas restrições de contratação de recursos humanos impostas pela Tutela, se traduzirá num desfoque de outras atividades mais relevantes para a segurança do sistema”. Esta citação constante de um anexo ao documento referente ao descarrilamento de um comboio, é atribuída  à Infra-estruturas de Portugal (IP)

Na prática, explica o jornal, a gestora da rede ferroviária assume que não tem meios para fazer uma manutenção mais profunda, uma vez que tem de se concentrar em outras áreas da segurança da rede ferroviária. A investigação ao descarrilamento de um comboio na Estação da Livração, no dia 15 de janeiro de 2017, aponta para falhas humanas, organizacionais e técnicas. No entanto, o GPIAAF aborda também a “existência de fissuras” num aparelho de mudança de via e que “também foi um incontestável fator causal para o acidente”. O mesmo relatório recomenda à IP um maior aprofundamento das operações de manutenção das agulhas.

No contraditório às conclusões dos peritos, a empresa assume a falta de recursos humanos para as tarefas recomendadas, considerando ainda que “o sistema não apresenta um risco significativo que obrigue à revisão imediata dos procedimentos de inspeção atuais”. A IP acrescenta ainda que para esta tarefa ser assumida é necessário o “respetivo reforço de meios e recursos, cuja autorização não depende da IP”.