O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, anunciou que o seu partido não votará a favor da nova proposta de acordo para o Brexit feita por Theresa May, nem mesmo com a possibilidade de ele vir a ser referendado. A novidade foi dada esta quarta-feira, na Câmara dos Comuns.

“Nenhum deputado trabalhista pode votar um acordo de uma primeira-ministra que está a dias de sair do cargo”, afirmou Corbyn, acusando ainda May de estar a apresentar um acordo requentado, com as mesmas características das três votações anteriores, em que foi chumbado. “Este acordo é uma versão com uma embalagem nova, mas é o mesmo acordo das outras três vezes”, declarou o líder da oposição.

Quanto à possibilidade de este acordo ser levado a referendo, Corbyn desvalorizou essa oferta de May. “Irá dar liberdade de voto aos seus liberdades nessa matéria?”, questionou. “Se acha que o seu acordo é assim tão bom, então não deve ter medo de o apresentar a referendo.”

O líder do Partido Trabalhista voltou ainda a pedir eleições antecipadas, acusando May de não estar “capaz de liderar”.

O país precisa de liderança, mas esta primeira-ministra não é a pessoa certa para isso. Não fez qualquer esforço para manter o país unido, tem estado focada no seu partido. Mas não resultou. O tempo dela acabou, é tempo de eleições gerais”, pediu Jeremy Corbyn perante os deputados.

O anúncio surgiu depois da apresentação do novo acordo de Theresa May aos deputados, repetindo as propostas que tinham sido feitas no dia anterior, incluindo a possibilidade de submeter o acordo a referendo e de repensar a união aduaneira entre o Reino Unido e a União Europeia. Na resposta a Corbyn, a primeira-ministra tocou num dos pontos sensíveis do líder da oposição: “Afinal é a favor do Brexit ou contra ele? Se for a favor, aprovará este acordo. Votar contra este acordo é votar contra o Brexit”, declarou.

O anúncio de Corbyn torna assim quase impossível que o acordo de May seja aprovado à quarta vez. A somar-se a isto estão as declarações em público de vários membros do Partido Conservador que votaram a favor do acordo na última vez e que agora reconsideram, devido à possibilidade de um segundo referendo. É o caso de Boris Johnson (candidato à liderança dos tories), do ex-ministro para o Brexti Dominic Raab ou do conhecido conservador eurocético Jacob Rees-Mogg.

Zac Goldsmith, outro deputado que se virou contra May, sublinhou a descrença na proposta da primeira-ministra: “Não posso apoiar esta trapalhada. O facto de isto nos levar a um referendo enjeitado entre o acordo dela ou um não-acordo é simplesmente grotesco. A primeira-ministra tem de sair”, afirmou.