Moda

Joana Campos Silva quer pôr a indústria da moda a falar sobre ela própria

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Depois de criar uma comunidade de talentos e um estúdio de comunicação, aventurou-se na organização de encontros de networking. O próximo vai juntar marcas e influencers em setembro no Porto.

Aos 33 anos, Joana é a cara por detrás de marcas e iniciativas que juntam a criatividade ao melhor do talento nacional

Autor
  • Maria Martinho

Joana Campos Silva é a mulher dos mil ofícios, curiosa, inquieta e empreendedora, raramente está parada e tem criatividade para dar e vender. Depois de estudar artes digitais e gestão de indústrias criativas, percebeu que é na estratégia e no desenvolvimento de marcas que se sente como peixe na água. Com uma mãe ligada à indústria têxtil, o “bichinho da moda” ferrou-a desde cedo e nunca mais a largou. Apresenta-se como viciada em comunicação, talento e networking, adora estudar, questionar e desafiar a moda e todos os seus intervenientes, mas é nos bastidores de marcas, eventos e projetos que dá nas vistas e continua a querer inovar.

Em 2014 lançou a Porto Fashion Makers, uma plataforma que reúne talentos e negócios na zona Norte do país, promovendo a cultura, a moda e projetos de lifestyle locais. “A ideia é mapear a cidade e unir uma comunidade criativa”, diz em entrevista ao Observador. Com alguns clientes como consultora de moda, um ano depois, fundou o Fashion Makers Studio, um estúdio que desenvolve a comunicação de marcas de vestuário, calçado ou joalharia em serviços como o branding, o design gráfico, o design digital, a direção de arte ou as redes sociais. À boleia deste projeto, Joana fez nascer o Meet The Maker, encontros de networking que colocam criativos e curiosos a falarem sobre temas atuais, como a customização ou a sustentabilidade na moda.

Ilustração: Joana Campos Silva

O rol de iniciativas de Joana não se fica por aqui. É uma das caras fundadoras da The Red Wolf, uma marca portuguesa de ilustração e design, dá aulas de marketing e desenvolvimento de marcas e em março lançou o My Journal, um blog onde junta as suas ilustrações à partilha de opiniões, conversas e reflexões sobre temas que lhe despertam curiosidade, desempenho de pequenas marcas ou casos reais que se vão cruzando no seu caminho profissional.  “Irrita-me que não exista literatura de branding e moda em português”, afirma.

Na cabeça tem já o próximo Meet The Maker. “Marcas x Influenciadoras” é o mote da terceira edição que irá juntar a 21 de setembro no Porto oradores como a influencer Drizinha, Li Furtado, fundadora da marca CINCO ou Ludovic Freitas, especialista em marketing digital. As inscrições estão abertas e são limitadas.

Em 2014 criaste a plataforma Porto Fashion Makers com que objetivo?
No Norte de Portugal somos fornecedores do mundo no setor do calçado, têxtil e ourivesaria, por isso criei uma comunidade para dar a conhecer a cadeia de valor moda essencialmente fixada nessa região. A ideia foi recebida com muita expectativa, todos queriam fazer parte, até recebia telefonemas.

Um ano depois lanças um estúdio de comunicação que desenvolve marcas. Como funciona?
O Fashion Makers Studio surgiu logo depois de lançarmos a nossa comunidade criativa. Procuravam-nos essencialmente pela nossa visão de moda, pelo nosso sentido estético e pela nossa comunidade criativa. Apesar do nosso trabalho ser criativo e muitas vezes intangível, temos várias metodologias que nos permite chegar à criação de marca. Nós fazemos a direção criativa e implementamos conceitos com o apoio da comunidade criativa, o que é muito interessante.

O que é mais desafiante no papel que desempenhas junto das marcas?
Ver as marcas crescerem, são como bebés. Tudo começa com o Magical Steps, uma metodologia de comunicação que uso e que é verdadeiramente revelador. O cliente fica muito entusiasmado porque nesse dia se conhece melhor. Quando mostramos o resultado por vezes ficam com a lágrima no olho, é muito bonito.

Preferes trabalhar com marcas acabadas de nascer ou marcas já existentes?
Prefiro fazer tudo de raiz, embora o importante seja fazer a marca crescer.

Também em 2015 surgiu o Meet The Maker. Porquê?
A comunidade criativa Porto Fashion Makers tinha três grandes objetivos: promover a indústria do Norte de Portugal, falar sobre tendências e conectar as pessoas. Percebemos que o formato Meet The Maker era o melhor para juntar tudo isto. O evento tem como objetivo discutir temas da atualidade com especialistas que queiram partilhar o seu trabalho e a sua experiência.

O próximo encontro juntará marcas e influenciadoras. Que papel pensas que os influenciadores digitais têm atualmente?
Têm um papel construtivo, um discurso direto com o cliente final e é fundamental para o crescimento das marcas. Sem eles muitas marcas não tinham vingado no mercado. No entanto, o mercado está sobrecarregado de “marketing de influência”, está saturado de conteúdos patrocinados, criando desconfiança. Acho que deve ser repensado o papel dos influencers, bem como a forma como as marcas as abordam. No próximo encontro, o painel escolhido foca o testemunho de marcas pequenas que já trabalham com influencers internacionais e influencers nacionais que trabalham com marcas internacionais. Os meus clientes são PMEs e este painel é para a realidade deles.

Ilustração: Joana Campos Silva

O que é que uma marca deve ter para ser bem comunicada?
Deve ter uma coisa única, algo que a distinga, seja a sua história, a sua proximidade, a sua forma de estar com o cliente ou com o mercado. Comunicar é sempre importante, no entanto o mercado está tão saturado que se torna necessário e urgente saber comunicar de forma mais diferenciada.

Qual tem sido a maior dificuldade até agora neste mercado?
O financiamento. As marcas dependem muito dos financiamentos europeu e isso influencia o maior ou menor investimento na marca.

Lançaste uma espécie de jornal online recentemente. Como surgiu este projeto?
Seja no Fashion Makers Studio, na marca The Red Wolf ou nas aulas que dou, aprendo tanto em todos estes sítios, com os meus clientes, colegas, parceiros, alunos e amigos e achei pertinente começar a escrever o que via e aprendia. Foi transformador criar o Journal pois consigo dar a minha perspetiva do que me inquieta, ilustrar e ainda falar da minha experiência com os meus clientes. Percebi também que tinha de catalogar a informação quando me via a partilhar a mesma informação com pessoas diferentes. Agora envio um único link, é mais fácil.

Nele abordas vários temas atuais. Como fazes essa escolha?
Trabalhar em moda é muito exigente. Eu estudo e leio muito, porque tenho de estar constantemente informada sobre inúmeros assuntos. No início, muitos dos temas surgiam com os meus clientes, até que comecei a partilhar publicamente no Instagram e o feedback foi imediato. Os meus followers enviam-me desabafos, inquietações e isso despoleta artigos. Foi assim que surgiu o “A influenciadora 4.0”, o artigo mais lido até ao momento.

Tornar o Journal num formato físico é uma possibilidade?
Não sei, por acaso já me perguntaram quando é que ia escrever um livro.

O Porto é um polo criativo interessante para ti?
Muito! Temos qualquer coisa de especial cá em cima. A ligação à cidade e à indústria é fortíssima. A cidade do Porto está a 20 minutos da cadeia de valor moda toda, desde o calçado, à ourivesaria, aos têxteis, e estamos ao lado de empresas de packaging, gráficas ou fotografia. Grande parte dos meus clientes são de Lisboa.

Existe alguma marca com a qual gostarias de trabalhar no futuro?
Adorava fazer uma marca de cosmética. É a única área que nos falta.

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