A ministra da Educação timorense quer os Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), onde lecionam professores portugueses e timorenses, cada vez mais independentes, com intervenção nas escolas públicas vizinhas.

“Talvez este seja o caminho a percorrer, por um lado tornar as escolas CAFE mais independentes e, por outro, alargar ainda mais a intervenção às escolas vizinhas”, afirmou Dulce Soares, na inauguração, na terça-feira, das novas instalações do CAFE de Maliana.

“Não há dúvidas, nem se pode questionar a continuidade do projeto dos CAFE, que vão continuar a existir, vão alargar as suas turmas até ao 12.º ano. Depois, em conjunto com Portugal, nomeadamente através da Embaixada de Portugal, vamos definir estratégias”, disse.

Dulce Soares falava em Maliana, onde na terça-feira foram inauguradas as novas instalações do CAFE, uma obra que começou em 2012, mas que só foi concluída este ano, contando com 12 salas de aulas, sala de professores, espaço multimédia e biblioteca.

Dulces Soares reconheceu que, apesar de novas, as instalações são insuficientes pelo que o CAFE de Maliana continuará a usar salas da Escola Básica Central de Odomau.

A situação arrastava-se desde 2010, “colocando, infelizmente, em causa o normal funcionamento das escolas”, mas, segundo a ministra, acabando por ter tido benefícios para os professores timorenses.

“A convivência diária entre os professores das duas escolas permitiu, com certeza, a aprendizagem mútua e o melhoramento de conhecimentos por parte de todos. O facto de continuarem a funcionar algumas turmas CAFE na Escola de Odomau só vai permitir que continue a acontecer essa partilha de troca de conhecimentos e experiências”, disse.

A ministra disse que o facto da colaboração continuar ajuda a “reforçar a atuação das Escolas CAFE numa das suas linhas de intervenção, nomeadamente na formação e no reforço das capacidades dos professores e dos administradores das escolas públicas locais”.

“Como sempre, sei que a Embaixada de Portugal e a Cooperação Portuguesa nos vão ouvir e que juntos vamos concordar nas direções que vamos tomar”, disse.

Intervindo na mesma ocasião, o embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, disse que o centro de Maliana é “testemunho inequívoco” da aposta do Governo timorense “na Educação e na promoção e a consolidação da língua portuguesa” no país.

“Este é um projeto considerado por Portugal e, permito-me referir, também por Timor-Leste, de extrema importância para o desenvolvimento e para a maior qualificação do sistema educativo bem como para o cumprimento das prioridades estratégicas definidas pelo Governo de Timor-Leste no domínio da Educação”, referiu.

Escolas, disse, que “têm também como objetivo reforçar a vertente de formação de docentes timorenses” com “ações de capacitação em matéria de formação de professores e de quadros da administração e gestão escolar timorenses”.

“É conscientes da importância da educação, e face à priorização deste setor pelas autoridades timorenses, com o objetivo de promoverem a redução da pobreza e garantirem um futuro melhor ao país, através da formação adequada dos recursos humanos, que a Cooperação Portuguesa tem vindo a prestar particular atenção e dedicado especial empenho nas ações que tem levado a cabo no setor da Educação, para as quais é destinada mais de 80 % da ajuda pública afeta a Timor-Leste”, recordou.

O que é hoje o Centro de Aprendizagem e Formação Escolar de Maliana – atualmente uma das 13 escolas da rede CAFE em todo o país — começou a funcionar como escola em 2010.

Um polo da Escola Portuguesa de Díli que, como recordou Dulce Soares, foi “das primeiras escolas, fora de Díli, a ter apoio permanente de professores portugueses”, contando com seis docentes com duas turmas cada do pré-escolar e do 1.º e 2.º anos, abrangendo assim apenas 120 alunos.

Na altura, a escola ainda seguia o currículo português “e, por isso, não integrava a rede pública de escolas timorense, nem tinha a colaboração de professores timorenses”, situação que mudou depois do protocolo de 2011 com o Ministério da Educação português.

“A partir de então, foram criadas, em todos os municípios, as chamadas Escolas de Referência, que usavam o currículo nacional de Timor-Leste, os manuais e o calendário escolar, de janeiro a dezembro, ensinando, por consequente, também a língua tétum”, recordou.

Um novo acordo levou, a partir de 2015, a outras alterações, incluindo à transformação das Escolas de Referência nos atuais Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFÉ).

Hoje, recordou, a escola continua a crescer com turmas até ao 10.º ano e um total de 641 alunos, com 12 professores portugueses e nove timorenses, estando três outros a ser recrutados.

Lina Vicente, coordenadora dos CAFE disse à Lusa que o projeto conta atualmente com 140 professores portugueses e cerca de 200 timorenses, abrangendo 8.252 alunos nos vários níveis de escolaridade.

Nove das escolas têm já turmas do nível secundário.