O número de contribuintes com rendimento superior a 250 mil euros por ano aumentou em 2017, de acordo com os dados da Autoridade Tributária (AT) consultados pelo Correio da Manhã. Os contribuintes mais ricos são agora 3.125, mais 422 do que o registado no ano anterior, e ao todo deram ao Estado 630 milhões em imposto sobre o rendimento.

O valor é quase tanto como os 636 milhões pagos pelas 935 mil famílias que estão nos três escalões mais baixos do IRS, onde os rendimentos ficam abaixo dos 13.500 euros anuais.

A grande fatia do imposto recolhido sobre o rendimento, contudo, assenta na classe média alta. De acordo com o Correio da Manhã, os contribuintes que auferem um rendimento bruto entre os 40 e os 100 mil euros por ano são aqueles que contribuem para 40,7% de toda a receita arrecadada com o IRS.

Os dados de 2017 dão conta de uma subida na coleta total de IRS, ultrapassando os 11,5 mil milhões de euros no ano de 2017. É um valor que fica 7,2% acima do que tinha sido arrecadado no ano anterior. Por outro lado, 46% dos agregados familiares portugueses não tiveram qualquer valor de IRS apurado. São eles os contribuintes com rendimentos do trabalho abaixo do limiar em que se paga, os mais pobres de todos, que não atingem o chamado mínimo de existência. Em 2017, esse valor estava nos 421 euros por mês.

(Artigo atualizado às 9h15 para acrescentar a clarificação que os portugueses sem IRS apurado são os mais pobres de todos)