Teatro

A banalidade do mal no palco do D. Maria II em nova encenação de Tiago Guedes

Estreia no sábado a peça "A Matança Ritual de Gorge Mastromas" no Teatro D. Maria II, em Lisboa e vai estar em cena até ao dia 28 de junho. É uma peça "peça provocadora" que obriga a refletir.

"A Matança Ritual de Gorge Mastromas" é um texto de 2013 sobre a banalidade do mal na pessoa do homem

Jose Sena Goulao/LUSA

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  • Agência Lusa
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“A Matança Ritual de Gorge Mastromas” é uma “peça provocadora” que obriga a refletir sobre o tipo de sociedade em que se vive, encenada por Tiago Guedes e com estreia no sábado, no Teatro D. Maria II, em Lisboa.

“A peça relata a vida de um homem chamado Gorge Mastromas – personagem interpretada por Bruno Nogueira -, que é alguém que ascende e fica todo-poderoso. O que nos faz pensar — é uma peça provocadora — que tipo de sociedade proporciona que pessoas que decidem mentir e funcionar de forma amoral consigam vencer desta forma e chegar onde chegam”, explicou à Lusa o encenador.

Com esta adaptação, Tiago Guedes regressa ao dramaturgo britânico Dennis Kelly, de quem já trabalhou o texto “Órfãos”, que esteve em cena no Teatro São Luiz, em Lisboa, em dezembro de 2017.

“Interessei-me pelos textos dele e comecei a mergulhar nos seus escritos. Têm algo com o qual me identifico, o mesmo tipo de interesses, e eu apaixonei-me pelos textos dele”, afirmou Tiago Guedes, explicando a razão de voltar aos escritos de Dennis Kelly para uma nova peça.

Os textos do dramaturgo inglês são uma “descida aos infernos da complexidade humana”, porque “têm sempre uma análise muito profunda da condição humana e da forma como o mundo interfere com a nossa essência, não nos deixando ser como somos naturalmente, temos que nos adaptar à forma como o mundo funciona e à sua maldade”, conta Tiago Guedes, confessando que o tema o fascina.

“De uma forma meio simplista, gosto destas zonas de cinzento e da ausência de preto e branco, e Dennis Kelly consegue fazê-lo”.

A Matança Ritual de Gorge Mastromas” é um texto de 2013 sobre a banalidade do mal na pessoa do homem, descrito pelo próprio Dennis Kelly desta forma: “a existência não é aquilo que até este momento pensaste que era. Não é honesta, não é gentil, não é justa”.

“A maior parte do mundo não faz ideia disso, acreditam em Deus, ou no paizinho ou em Marx ou na mão invisível do mercado ou em honestidade ou bondade. Atravessam a vida, de olhos fechados, a levar porrada e ser lixados. Ele é assim. Tu és assim. Mas uma ínfima parte de nós, chamemo-nos a resistência, sabemos a verdadeira natureza da vida. É-nos dado o mundo. Somos poderosos e ricos e temos tudo, porque faremos tudo o que for preciso”, acrescenta.

Ao longo do espetáculo, a vida de Gorge Mastromas vai sendo escrutinada em retrospetiva pelas restantes personagens, cuja interpretação está a cargo dos atores António Fonseca, Beatriz Maia, Inês Rosado, José Neves, Luís Araújo e Rita Cabaço.

“A Matança Ritual de Gorge Mastromas” é uma coprodução do Teatro Nacional D. Maria II, Pueblozito e Teatro Viriato, que se estreia na Sala Garrett no sábado, mas que terá antes, na sexta-feira, um ensaio geral solidário aberto ao público, cujas receitas revertem a favor do projeto MANSARDA (uma associação de apoio aos artistas, sem fins lucrativos).

A peça vai estar em cena até ao dia 28 de junho.

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