Eleições Europeias

“Contrato social para a Europa”? João Ferreira acusa PS: “É preciso muita lata e descaramento”

A campanha do PS promete um "novo contrato social para a Europa". João Ferreira ataca o pilar social da UE no que toca ao direito ao trabalho — e critica "embrulhos bonitos com conteúdo amargo".

João Ferreira discursou esta quarta-feira num comício em Alpiarça

LUSA

As duras críticas a Pedro Marques durante a arruada na Amora, esta tarde, foram só o início. Esta noite, em Alpiarça, o cabeça-de-lista da CDU às eleições europeias, João Ferreira, acusou o PS — e Pedro Marques em concreto — de ter “muita lata e descaramento” ao apresentar no seu “novo contrato social para a Europa” medidas que, no entender da coligação, prejudicam os portugueses.

Num dos mais participados comícios da campanha até agora, e que contou também com a intervenção do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, o candidato quis expor os “embrulhos muito bonitos que escondem conteúdos muito amargos” com que, disse, PS, PSD e CDS “enganaram” os portugueses.

“É o caso do chamado pilar social da União Europeia, que o PS adotou e agora lhe chama um novo contrato social. Alguém sabe dizer se esse tal contrato social defende, por exemplo, a diminuição da idade da reforma? A redução do horário de trabalho? O direito dos jovens a uma vida estável? A valorização das pensões? A melhoria da proteção da maternidade e paternidade?”, questionou João Ferreira.

Para logo responder: “Não defende nada disto. O que sabemos é que este contrato social traz consigo o contrário“. Segundo disse João Ferreira às mais de duas centenas de apoiantes presentes em Alpiarça, a proposta do PS traz o aumento da idade da reforma e a “generalização da precariedade no trabalho e na vida”, além de uma “instabilidade permanente” dos trabalhadores e a “abertura do caminho para a privatização da Segurança Social”.

Porque, explicou João Ferreira, “foram estas as posições que os deputados do PS assumiram” no Parlamento Europeu, e “nas quais convergiram com o PSD e o CDS”. “Não deixemos que ninguém se esqueça do corte de 600 milhões de euros nas pensões em pagamento que a UE queria fazer e já tinha acordado com o Governo anterior PSD/CDS“, referiu o candidato, lembrando que tal foi “impedido com a luta e a intervenção decisiva da CDU”.

Mas, continuou o cabeça-de-lista da CDU, “eles não desistiram das suas intenções e vão fazendo o seu caminho”. “O pilar social proíbe a precariedade no trabalho, fazendo com que a cada posto de trabalho permanente corresponda um vínculo permanente? Não o faz, legaliza a precariedade. Onde está escrito que o direito ao trabalho é um direito fundamental? Não está. O que está escrito é o direito a procurar emprego. É preciso muita lata e descaramento“, acusou João Ferreira, assegurando que “este é o pilar social que o PS quer verter no seu contrato social”.

João Ferreira disparou ainda contra a “promiscuidade” entre governantes e as grandes empresas. “Estamos fartos de como Durões Barrosos e Marias Luísas Albuquerques circulam entre cargos públicos e os negócios“, disse — arrancando à multidão um forte apupo contra os sociais-democratas mencionados.

O candidato atacou também a União Bancária, que acusa de ser um “crime quase perfeito” para construir “grandes monopólios à escala europeia” e até no setor da água atirou, assinalando que a diretiva europeia aprovada por PS, PSD e CDS, embora “aparentemente” seja “só preocupações com a população”, serve na verdade para garantir “concessões aos privados para continuarem a fazer negócio”. E lembrou que a CDU foi a única força a votar “contra esta diretiva desde o primeiro momento”.

Jerónimo de Sousa: “Hoje está mais clara a importância da CDU”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, encerrou a noite em Alpiarça com um discurso em grande medida repetido das intervenções que tem feito ao longo desta semana. Destacando como o Partido Socialista Europeu (grupo europeu onde se integra o PS) e o Partido Popular Europeu (do PSD e CDS) “concertam” políticas “em conjunto ao serviço do grande negócio e da finança“, Jerónimo acusou os três partidos de já se terem posto de acordo quanto ao importante para o país “quando se vergaram perante o diretório” da UE, pelo que agora têm de encenar “secundaríssimas diferenças”.

Dizem-se salvadores de uma Europa ameaçada, mas não foram capazes de salvar Portugal“, acusou Jerónimo de Sousa, antes de insistir que os deputados da CDU são os únicos que “defendem o interesse do povo” e não o das “transnacionais”, e que são “os mais ativos, coerentes e intervenientes” entre os eurodeputados portugueses.

Salientando o papel do PCP e dos Verdes no acordo parlamentar que sustenta o Governo em Portugal, Jerónimo de Sousa destacou ainda que “hoje está mais clara a importância da CDU” e defendeu a necessidade de “avançar no caminho que leve mais longe as políticas decididas nos últimos três anos e meio”.

A caravana da CDU segue agora para o único dia da campanha oficial passado no norte do país, tendo iniciativas agendadas para esta quinta-feira no Porto e em Braga.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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