Moçambique

Dívidas ocultas de Moçambique: há todo o interesse em julgar Chang em Maputo, diz ministro da Justiça

O ministro da Justiça moçambicano disse que "é o povo mais lesado e, por conseguinte, tem todo o interesse em julgar aquele que criou realmente prejuízo ao seu erário público".

Chang, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um mediador da Privinvest foram detidos em dezembro a pedido da justiça norte-americana

António Silva/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O ministro da Justiça moçambicano, Joaquim Veríssimo, disse que há todo o interesse do povo em julgar o ex-ministro das Finanças Manuel Chang em Moçambique no âmbito do caso das dívidas ocultas.

O povo moçambicano “é o povo mais lesado e, por conseguinte, tem todo o interesse em julgar aquele que criou realmente prejuízo ao seu erário público”, referiu o governante, em declarações à Rádio Moçambique, na quarta-feira.

A extradição para Moçambique em vez dos EUA “visa fundamentalmente proteger os interesses mais nobres do povo moçambicano”, acrescentou.

O ministro da Justiça sul-africano anunciou na terça-feira que, face aos pedidos de extradição dos EUA e Moçambique, optou pelo país de origem de Chang.

Joaquim Veríssimo congratulou-se com a decisão e disse que o Governo moçambicano conta com a colaboração de Chang para o esclarecimento do caso.

“Esperemos que ele continue a colaborar no sentido de poder ser equacionada a justiça face aos factos que forem organizados em sede do devido processo legal (…). Nós sabemos que a Procuradoria e outras instituições desde o princípio lidaram com propriedade esta questão das dívidas ocultas”, disse Veríssimo.

Chang, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um mediador da Privinvest foram detidos em dezembro a pedido da justiça norte-americana.

A investigação alega que a operação de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros) para criar as empresas públicas moçambicanas Ematum, Proindicus e MAM durante o mandato do Presidente Armando Guebuza é um vasto caso de corrupção e branqueamento de capitais.

Só em fevereiro, depois da ação dos EUA, foram detidas várias figuras públicas pela justiça moçambicana – entre as quais pessoas próximas do ex-chefe de Estado Guebuza – que tinha o caso aberto desde 2015, mas sem nenhuma detenção.

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