Eleições Europeias

Europa, Europa, Europa. Marisa Matias e Catarina Martins não respondem a críticas de Costa e Melo

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Marisa Matias e Catarina Martins estiveram debaixo de fogo ao longo do dia. Do CDS ao PS foram várias as críticas às bloquistas. No comício da noite, as dirigentes do BE optaram por não reagir.

LUSA

A caravana do Bloco de Esquerda chegou ao Incrível Almadense pouco antes das 22h00. Por essa hora, a poucos quilómetros, António Costa já tinha lançado duros ataques aos seus parceiros da atual solução de governo. Mas os bloquistas não estavam dispostos a reagir. Traziam os discursos preparados e nem mesmo os ataques dirigidos do alto da “geringonça” iam mudar uma vírgula nas intervenções. A tática assumida era clara: não responder às críticas de Costa, Pedro Marques ou Nuno Melo, que ao longo desta quarta-feira foram desferindo vários golpes no BE — na sequência dos discursos que Marisa Matias e Catarina Martins fizeram na terça-feira em Braga.

Para que não ficassem dúvidas, a eurodeputada pôs por palavras a estratégia que trazia: “Esta campanha eleitoral começou com muita gente a tentar fazer destas europeias a primeira volta das legislativas. Alegra-me que o BE tenha contribuído para fazer um debate de fundo sobre as europeias. Recusamos que não se discuta o projeto europeu”. A resposta possível estava dada. O tema da sua intervenção era outro.

O alvo de Marisa Matias era a banca. “Os bancos funcionam como máquinas de acumulação que favorecem as elites parasitárias deste país. Refiro-me às elites de sempre, que a cada ano têm usado o seu dinheiro como se fosse seu. Mas não é”. Nenhuma novidade, mas em tempos eleitorais nunca é demais fazer um pouco de doutrina para acordar plateias de comício.

Os argumentos iam colando. A candidata insistia: “Refiro-me a estas elites porque elas não têm direito à impunidade. Sempre que algo correu mal foi a nós que vieram buscar o dinheiro. Sempre foi assim e tem de deixar de ser assim”. Nova salva de aplausos. Reciclando alguns argumentos já utilizados na campanha, fez uma série de críticas à injustiça fiscal e às tendências de “Juncker, o santo padroeiro dos paraísos fiscais”.

Catarina Martins: “Quem vive na precariedade vive com medo”

Num palco redondo no meio da sala, com público em toda a volta, e quando o discurso se assemelhava a uma revisão da matéria dada sobre a posição do partido perante a banca, Marisa Matias puxou pelo único argumento em que falaria diretamente de adversários, voltando a animar as 250 pessoas que enchiam o auditório. “Foi apenas o Bloco que confrontou diretamente o PS, o PSD e o CDS sobre os seus planos obscuros para privatizar os sistemas de segurança social da UE. Queremos um sistema único, público, solidário. Não aceitamos que queiram usar o dinheiro dos pensionistas para pagar as fraudes do futuro”, proclamou.

Não se tratou de um discurso empolgante mas foi o suficiente para animar os apoiantes presentes no Incrível Almadense que já antes tinham ouvido Catarina Martins. Ao contrário do que tem feito ao longo da campanha, a líder do BE não foi a protagonista deste comício. Com um discurso menos galvanizador que o do costume e com algumas frases feitas, a coordenadora bloquista dedicou a sua intervenção a um único tema: precariedade.

Ainda assim, um dos soundbites da noite pertenceu precisamente a Catarina Martins, que contou com uma inesperada mas preciosa intervenção de um bebé para o completar da melhor maneira. “Quem vive na precariedade vive com medo”, disse a dada altura, fazendo silêncio a seguir. Um silêncio que foi quebrado por um bebé que, como se reagisse ao que a líder do BE acabara de anunciar sobre o seu futuro, choramingou naquele mesmo instante.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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