A saída de Massimiliano Allegri do comando da Juventus após cinco anos em que conquistou cinco Campeonatos, quatro Taças e duas Supertaças teve o condão de reforçar a aposta total do presidente Andrea Agnelli no regresso aos triunfos europeus (onde o técnico italiano falhou, apesar das duas finais alcançadas em 2015 e 2017) e, em paralelo, de mudar a lógica a nível de bancos para a próxima temporada que parecia mais ou menos arrumada. É um raciocínio lógico e de fácil compreensão: se alguém sai, alguém tem de entrar. E se alguém entra, apesar de haver nomes fortes sem clube, é porque entretanto saiu de algum lado que também vai necessitar de um substituto. A surpresa aqui acabou mesmo por ser a colocação do espanhol Pep Guardiola como primeira peça neste jogo de dominó e como possibilidade de chegar à Liga italiana através da Vecchia Signora.

Tudo começou com uma notícia bastante detalhada da agência de notícias italiana AGI: o antigo técnico de Barcelona e Bayern que se encontra desde 2016 no Manchester City iria assinar contrato com a Juve no dia 4 de junho e seria apresentado em termos oficiais no dia 14, data reservada pelo clube onde foram suspensas todas as visitas ao museu. Em paralelo, e olhando para os valores, os bianconeri estariam disponíveis para assegurar um contrato de 24 milhões de euros por quatro temporadas, sem especificar se o montante era bruto ou líquido. No mesmo artigo, os nomes de Mauricio Pochettino (Tottenham), Maurizio Sarri (Chelsea) e Simone Inzaghi (Lazio) são apontados como outras possibilidades que foram tomadas em conta.

“Pep Guardiola não é um treinador que goste de estar muito tempo na mesma equipa. É um apaixonado e, passados três ou quatro anos, precisa de novos desafios. Não sei se irá mas será certamente difícil de substituir”, comentou à mesma publicação Pablo Zabaleta, defesa internacional argentino que trabalhou com o técnico no Manchester City.

Já a Gazzetta dello Sport apresenta uma outra versão em quase tudo diferente da AGI com dois pontos em comum: o interesse real da Juventus na contratação do treinador apesar do elevado custo que a operação poderia ter e o facto de não haver visitas no dia 14 de junho no museu do clube, mas com a explicação de que está há algum tempo reservado para aquilo que define como “grande evento comercial”. De resto, a publicação nega que Pep Guardiola tenha estado em Milão com dirigentes bianconeri (acrescentando que, nessa fase, encontrava-se até em Abu Dhabi) e, citando fontes próximas a ambas as partes, destaca que não existem nesta altura negociações em aberto em relação a uma possível passagem para o banco dos transalpinos.

Por fim, a Sky Sport, através de Gianluca Di Marzio, afasta qualquer possibilidade de saída de Guardiola do Manchester City e apresenta declarações de Alberto Galassi, advogado do clube e membro da administração, a desmentir a saída do espanhol do comando técnico dos bicampeões ingleses. “Fiquei muito surpreendido quando li que uma agência noticiosa lançou essa notícia sem qualquer sentido. Aquilo que o Pep disse na semana passada parece que não foi ouvido. Em primeiro lugar, o treinador quer ficar no clube e ainda tem pelo menos mais dois anos de contrato. Depois, um clube como a Juventus nunca teria deixado que houvesse uma fuga desta magnitude. Antes eles teriam contactado o City, é impossível de pensar que poderia haver uma apresentação uns dias depois sem isso. É uma notícia falsa e ridícula”, destacou o responsável.

“O desejo do treinador é ficar. O Pep é um profissional fantástico. Ele próprio não consegue perceber o porquê das suas palavras não serem mais consideradas. Honestamente, não consigo perceber porque é que um clube deveria explicar um facto garantido, que Guardiola quer ficar. Recentemente até falei com Nedved e ainda nos rimos”, acrescentou. Recorde-se que, após uma época de estreia sem títulos, o espanhol ganhou o Campeonato e a Taça da Liga em 2017/18 e conseguiu esta temporada um inédito treble em Inglaterra, vencendo Supertaça, Taça da Liga, Campeonato e Taça de Inglaterra. Na Liga dos Campeões, os citizens voltaram a cair nos quartos com outra equipa inglesa, desta feita o Tottenham depois do Liverpool.

Com ou sem Pep Guardiola nas cogitações, a verdade é que a Juventus continua à procura de um sucessor para Massimiliano Allegri, que deverá ser conhecido nas próximas duas semanas tendo em conta a preparação da época 2019/20. Pochettino, Sarri e Inzaghi foram alguns dos nomes falados, a par de Antonio Conte (que se encontra sem clube depois da passagem pelo Chelsea e que já esteve no banco da Juve), José Mourinho (que negou essa possibilidade) e até Zinedine Zidane, treinador que assumiu o comando do Real Madrid nove meses depois de sair como tricampeão europeu pelos merengues.