Podem os espermatozoides dos homens e dos cães estar a perder qualidade e quantidade devido a produtos químicos presentes em plástico? Um estudo realizado em março por um grupo de investigadores da Universidade de Nottingham diz que esta pode ser uma realidade. E que, em parte, o culpado está presente em dois produtos comuns em ambientes domésticos: um que é utilizado para tornar os plásticos mais maleáveis (dietil hexil ftalato) e o outro que é utilizado em plásticos e equipamentos mais antigos (bifenilo policlorado 153).

Apesar de estes produtos terem deixado de ser utilizados, por trazerem alguns riscos para a saúde, as substâncias químicas persistem no meio ambiente, conta o The Guardian. Para testar esta teoria, os investigadores retiraram, primeiro, amostras de sémen de nove homens e 11 cães e colocaram essas amostras em contacto com os produtos químicos. Resultado: a exposição a substâncias químicas no ambiente reduziu a capacidade do espermatozoide nadar e fragmentou o seu ADN.

O principal autor do estudo, no entanto, alerta para o facto de que se trata de uma amostra muito pequena para se tirar conclusões precipitadas. “É claro que temos que ser cautelosos com base nesses números”, referiu Richard G. Lea, acrescentando que os dados dos investigadores “aumentam o peso da evidência de que os produtos químicos em ambiente doméstico degradam o espermatozoide”.

O estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Nottingham é apenas um dos vários relatórios que mostram que a qualidade e quantidade de espermatozoides dos homens estão em declínio. Um deles diz mesmo que a contagem de espermatozoides caiu para metade nos últimos 50 anos e que uma grande parte deles é “mau nadador”, ou seja, é lento, desajeitado ou afetado por falhas genéticas. Muitos investigadores têm vindo a relacionar esta situação com estilos de vida menos saudáveis, como o stress, o excesso de peso, o álcool, o tabagismo e o uso de drogas recreativas.

Se a causa estiver, em parte, relacionada com os produtos químicos, refere Richard G.lyon Lea, o mesmo poderá acontecer com os cães. “Eles vivem nas nossas casas. Muitas vezes até nos acompanham para o trabalho”, explicou, acrescentando que, por isso, “estão expostos aos mesmos produtos químicos”. Um estudo de 2016 mostra que o número de espermatozoides bons nadadores nos cães diminuiu 30% em 26 anos.